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Luciane Silveira Arts

O olhar belissímo sobre o cavalo crioulo de
Luciane Silveira - artista plástica de Santa Maria - RS


























http://lusilveiraartesplasticas.blogspot.com

Gaúcho - história



Chama-se Gaúcho às pessoas das regiões de campos do vale do Rio da Prata, ligadas à pecuária. Essa região, também conhecida como Pampa, foi colonizada por espanhóis e portugueses, que trouxeram escravos negros. O Gaúcho tem em sua origem, portanto, descendentes desses povos, mais a miscigenação com índios, nativos da região.
As características particulares ao seu modo de vida construíram um meio de vida único, adaptado ao trabalho pecuário, com técnicas que formam uma cultura própria.
O termo “Gaúcho” já foi usado, por motivos políticos, como termo depreciativo dos Habitantes do Rio Grande do Sul, na época do Império, e foi adotado pelo povo do sul como símbolo dos valores culturais da região. A influência do nativismo argentino, no final do século XIX expressa, também, a construção de um mito fundador da cultura da região.
Os gaúchos são conhecidos como exímios cavaleiros e é quase impossível associarmos a imagem de um gaúcho sem a unirmos a do Cavalo Crioulo uma cruza entre o crioulo-chileno e a raça cardal (raça nativa do RS). O cavalo do gaúcho "era tudo o que ele possuía neste mundo". Durante as guerras do século XIX, que ocorreram na região, chamada, atualmente de Cone Sul, as cavalarias de todos os países eram compostas quase que inteiramente por gaúchos e seus Cavalos Crioulos.
Os Cavalos Crioulos vêm sofrendo pequenas alterações, como o encurtamento dos membros anteriores para facilitar os giros, tornando o cavalo mais ágil.
No século XIX era quase impossível encontrar alguém na Província do Rio Grande do Sul que não utilizasse cavalos, e não apenas os trabalhadores das fazendas e ranchos, os escravos e os habitantes da cidade se locomoviam utilizando o cavalo, muito similar ao Crioulo que conhecemos hoje, que demonstrava, já naquela época, grande diversidade e resistência.
Naquela época a pessoa que não soubesse montar ou que se encontrasse desmontada, não só causava estranheza, mas também era depreciada.











verdade campeira



"Um sul de verdade campeia em meus olhos
De bota e bombacha, montado a capricho
De alma amansada curtida da lida
Com a doma da encilha na ponta dos cascos...
Um sul de verdade galopa comigo
Sujeitando o pingo nas cambas do freio
Sovando os arreios nas léguas do pago
Reunindo o gado num pelado de rodeio..."










arte crioula




"...Paleteada é lida bruta
Nascida nas "escaramuças"
Quando se apartavam tropas
Em "machaços" atropelos
A encontro e a bico de bota
Tirava o boi do refugo
que reboleava o sabugo
na direção do sinuelo."












Os cavalos como eles são







Simples, descomplicados e principalmente justos com tudo o que fazem ou agem. Curiosos e de pensamentos diretos, os cavalos processam as informações vividas de uma forma diferente dos seres humanos.

Pense em uma criança aprendendo a escrever. Quanto mais ela pratica, mais melhora sua escrita. Os cadernos de caligrafia servem para que a qualidade da letra melhore, assim como a rapidez e a fluidez da escrita. Um cavalo assimila a informação de uma forma totalmente oposta. Ao acertar um exercício por poucas vezes repetidas o cavalo começa a processar o aprendizado pelo alívio e relaxamento após o último exercício correto. Imagine um cavalo aprendendo a saltar. Não é a quantidade de saltos repetidos que melhorará o salto do cavalo, mas sim a qualidade de poucos saltos bem dados e depois um momento de relaxamento e alívio desta pressão. Aqueles segundos ou minutos de relaxamento são exatamente os momentos de aprendizado de um cavalo. De nada adianta ficar repetindo uma manobra inúmeras vezes pensando que a cada repetição ele melhorará esta manobra. Ao contrário, quanto mais se repete a mesma coisa, mais o cavalo vai achar que está errando, e tentará mudar algum detalhe desta manobra na tentativa de acertar. E, ao mudar, aí sim erra! E, errando, iremos corrigi-lo ou puni-lo por algo que ele pensou estar fazendo certo. Imagine a confusão na cabeça deste cavalo. Da mesma forma que no aprendizado, um cavalo deve aprender a viver por si mesmo, “assumindo as responsabilidades da vida”. Conheço proprietários que não permitem que seus cavalos trabalhem sem antes dar um “banho” de repelente. Na cabeça destes proprietários, estão
ajudando seus cavalos a se prevenirem contra as moscas. Mas, quanto mais se passa o repelente, mais se necessita passar repelente... E, quando não se passa o tal repelente (já que não se tem alguém 24 horas por dia passando repelente...), vejo cavalos ficando loucos com as moscas, sofrendo muito tentando espantá-las, alguns até deixando de comer ou comendo muito mal, suando de tanto fazer movimentos com o pescoço, cauda e patas. Os repelentes devem ser utilizados em competições, como auxílio na concentração do cavalo em um momento tão importante, mas, em treinos, no dia a dia, não devem ser regra de utilização.
No intuito de ajudar um cavalo, pode-se realmente criar situações de desconforto e confusão. Tudo porque por muitas vezes não deixamos nossos cavalos serem como eles são...










ALIMENTAÇÃO DOS GARANHÕES

Necessidades Energéticas

As necessidades do garanhão reprodutor em manutenção são as mesmas para qualquer animal nesta condição.

As necessidades energéticas do garanhão em período de monta são superestimadas pelos criadores, para os quais, um estado corpóreo um pouco acima do normal, é sinal de força, de saúde e orgulho para si próprio. Portanto, a obesidade ou robustez excessiva compromete, inicialmente, a longevidade do reprodutor, pois o excesso de peso fatiga as articulações, favorece a artrose e dificulta o salto, além de tornar um animal já agitado, mais nervoso para se manejar.

Em período de estação de monta, a função reprodutora é relativamente pouco exigente em Energia, sendo cerca de 30% acima da manutenção, semelhante a um animal em trabalho leve, mas é necessário um excelente equilíbrio alimentar.

Sobretudo, há comprometimento da fertilidade. Ocorre diminuição do nível hormonal e da libido (por fixação dos hormônios sexuais com o tecido adiposo – gorduroso).

Inversamente, o emagrecimento afeta certos garanhões muito nervosos, que perdem o apetite. É necessário oferecer alimentação concentrada e variar o regime alimentar para se manter um bom estado corpóreo, vigoroso e fecundo.

O fornecimento de ácidos graxos essenciais é importante para a fertilidade. Devemos ressaltar aqui a utilidade dos produtos como milho, aveia, germes de trigo, soja, sempre presentes em produtos concentrados balanceados.



Necessidades Protéicas

Os aportes protéicos ultrapassam um pouco as necessidades de manutenção, em cerca de 20%, para ativar a produção das glândulas sexuais. Mas os excessos são particularmente prejudiciais, pois elevam a reabsorção intestinal de aminas (composto tóxico formado a partir da quebra de proteínas), podendo contribuir para alterar o vigor e a sobrevida dos espermatozóides.

Uma complementação mineral é necessária para se evitar carências de fósforo, zinco, manganês, cobre, iodo e selênio, que são importantes para a fertilidade e que, normalmente, podem ser deficientes nas forragens.



Necessidades Vitamínicas

A suplementação vitamínica consiste, em primeiro lugar, em Vitamina A que garante a integridade do epitélio germinal.

A Vitamina E é de igual interesse para a fertilidade pela proteção anti-oxidante dos ácidos graxos essenciais e da Vitamina A.

O restante do complexo vitamínico é essencial para o bom equilíbrio do organismo do garanhão.



Arraçoamento Prático dos Reprodutores

O arraçoamento prático dos garanhões reprodutores prioriza o equilíbrio alimentar, prevenindo-se a superalimentação.

As necessidades do animal variam de 1,5 %, em manutenção, a 2,3% , em estação de monta intensa, de matéria seca em relação a seu peso, isto é, para um animal de 400 kg deve varias de 6 a 9,2 kg de matéria seca por dia, com as quantidades de energia e proteína adequadas, além do sal mineral específico e água fresca e limpa à vontade.

Particularmente o feno de alfafa, que expõe o animal a excessos protéicos e a aveia, quando em excesso, desequilibra a ração e favorece a produção de sêmen diluído e pouco fértil.

Fora do período de monta, um regime de manutenção é suficiente, através do fornecimento de capim ou feno de qualidade, uma suplementação mineral e, eventualmente, o fornecimento de concentrado, pode ser necessário para se manter um estado corpóreo satisfatório.

No período de monta, uma suplementação extra com concentrado (ração) se faz necessário para complementar as necessidades energéticas, dependendo da freqüência dos saltos e do estado corpóreo do animal.

A complementação protéica é, em média, semelhante àquelas de animais em trabalho médio, cerca de 11 a 12% de proteína bruta.

Uma preocupação constante deve ser a qualidade destas proteínas oferecidas (alimentos com teores adequados de lisina e metionina), além de se manter um equilíbrio alimentar adequado, através de suplementação extra de vitaminas e minerais sempre que necessário.


Por André Cintra
(veterinário)









Instinto Crioulo





"A sede de liberdade rebenta a soga do potroque parte em buca do pago,
e num galope cortando a coxilha ao meio, mordendo o vento na cara..."










Charla de Domador



Charla de Domador
Gateado e mouro, pangaré e lobuno
Tordilho e baio me criei domando
Qualquer é bueno quando tem comando
Ninguém é mestre se não tem aluno
Quem doma sabe aprendeu com o potro
Maestro rude desta lida braba
Só existe um jeito de evitar a baba
Em lua nova não se enfrena potro
Bocal e rédeas maneador carona a cincha o basto e o
pelego branco
O jeito lindo de alargar o tranco e anca macia pra
levar a dona
Domar e ciência mas precisa raça garrão de touro pra
enfrentar a lida
Nesta carpeta onde se joga a vida não vendem fichas
para jogar de graça
Buçal cabresto tirador chilena
Sinchão de pardo e o garrão borraio
Um mango feio pra surrar cruzado
E uma de canha pra espantar as penas
O brabo mesmo até parece farra
Pro andarengo tu nem sabe quanto
Depois de tudo envelhecer domando
Sem ter um flete pra soltar as garras
(Luiz Marenco)








risco de cavalo