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...muitos ainda não sentaram ao vento



continuam a partir.

rompendo o silêncio,

Esse tempo que vai sem tocar o fundo do pampa.
os que saíram antes da chuva não voltam,

perderam-se nas dobras do campo

São transuentes 

agarrados aos sonhos debaixo da noite,
bêbados sem pilares e porteiras
seguem adiante açoitados 
pelas lembranças de dias
cravejados de melancolia
seguem ao longe e o minuano sem remorso 
rasga no peito as dores 
do vivente sem dar satisfação.
Era boi .... era .... gotejam segredos 
sem fim no sorriso 
desses últimos dias de andejo.
Tadeu Vilani.
Foto:Santana do Livramento - RS/BR
Data: 30.05.2012

Aceita um mate?



Pras horas doces do ritual amargo

A prosa na companhia amiga é o mate,
companheiros perfeitos dos nossos dias.
Não hay gaucho que não aprecie esse ritual
de procedência ancestral.
Gaúchos
Começamos aqui uma roda de mate, o objetivo é convidar
os amigos de perto e os mais distantes também,
vamos ver até onde uma roda de mate pode levar a nossa amizade.

JARDIM NATURAL


Albeni Carmo de Oliveira




Meu campo florido
Meu jardim natural,
Teu doce caudal
De rara beleza.
Me dá a certeza
De um mundo de paz,
E força tenaz
Da mãe natureza.

Meu campo florido
Meu jardim natural,
Onde a cada final
De um dia eu caminho.
E fico sozinho
Fito bosques e montes,
Buscando Horizontes
De amor e carinho.

Meu campo florido
Meu jardim natural,
Onde em tom fraternal
Vivem pássaros e gado.
De manhã orvalhado
Cheira rio e barranca,
E a geada tão branca
Te deixa queimado.

Meu campo florido
Meu jardim natural,
Este pobre mortal
Que canta em teu louvor.
Pede a Deus um favor
Quando a vida findar,
Em ti me enterrar
E renasça uma flor.


MÃE CRIOULA



Jayme Caetano Braun
Tamanho da fonte
Mãe crioula do Rio Grande
Sacrossanta criatura,
Olho-d'água de ternura
Na velha várzea pampeana,
Não há rincão de alma humana,
Onde não se erga um altar
Somente pra te adorar
Como Deusa e soberana.

Mãe crioula do Rio Grande,
Legenda de mil amores,
Campo bordado de flores,
Delicadas, sem espinhos
Sombra amiga dos caminhos,
És o sagrado reduto
Onde o xiru, por mais bruto,
Aprende a beber carinhos!

Mãe do piazito dos ranchos
Ao desamparo da sorte
Desses que rolam sem norte
Pelos atalhos da vida;
Mãe que embala comovida
O amado filho campeiro,
Rezando à luz do candeeiro
Pra que ele cresça em seguida.

Mãe do gaudério sem lei
Que um dia se foi embora;
Mãe santa e buena que chora
Antes do filho partir;
Mãe que não sabe pedir
Por ter medo de magoar;
Mãe que de tanto chorar
Desaprendeu de sorrir.

Mãe do pobre peão de estância
Miserável dos galpões.
O paria das solidões
Maltrapilho, analfabeto;
Mãe que sob humilde teto
Pressente o trote do pingo,
Do filho que vem, domingo,
Trazer-lhe um pouco de afeto.

Mãe da chinoca inocente
Que enfrentando um mundo novo
Um dia caiu no povo
Pialada por sorte à-toa;
Mãe Divina, sempre boa,
Que lá ficaste sozinha
Rezando pela chininha,
Pois a mãe sempre perdoa.

Mãe dos tauras que morreram
Em peleias de outras eras;
Mãe que ao cruzar nas taperas
Sente que o peito se inflama,
Porque sofre o mesmo drama
Que alguma outra mãe sofreu
E recolhida ao seu eu
Em lágrimas se derrama.

Mãe que sofre ouvindo guacho
Rinchando, de tardezinha,
Como a chamar a mãezinha
Num triste e longo estribilho,
Por ver no pobre potrilho
O pesar grande e profundo
Do filho sem mãe no mundo
Que o possa tratar de filho.

Mãe gaúcha incomparável,
Rainha do Céu azul
Mãe do Rio Grande do Sul,
Mãe do centaura charrua,
Nem estrelas, nem a Lua,
Jamais te igualam no brilho
Quando a sentença - Meu filho
Entre teus lábios flutua.

Por isso é que, reverente,
Santa mãezinha querida,
Fonte de amor e de vida
Sacrificada aos deveres,
Sinto o maior dos prazeres
Ao beijar-te, Anjo Bendito,
Pois em ti eu beijo contrito
O mais sagrado dos seres!.

Céu, Sol, Sul Terra E Cor


Eu quero andar nas coxilhas sentindo as flexilhas das ervas do chão

Ter os pés roseteados de campo ficar mais trigueiro que o sol de verão

Fazer versos cantando as belezas desta natureza sem par
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar

É o meu rio grande do sul
Céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor

Eu quero me banhar nas fontes e olhar o horizonte com deus
E sentir que as cantigas nativas continuam vivas para os filhos meus

Ver os campos florindo e crianças sorrindo felizes a cantar
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar


É o meu rio grande do sul
Céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor

Eu quero me banhar nas fontes e olhar o horizonte com Deus
E sentir que as cantigas nativas continuam vivas para os filhos meus

Ver os campos florindo e crianças sorrindo felizes a cantar
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar

É o meu rio grande do sul
Céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor

IMAGENS









Adair de Freitas
Tamanho da fonte
Quando refugo meu catre,
cedito, que ainda não é dia nem noite,
da porta do galpão encho minh'alma
na paz que me transmite a calma
da imensidão da pampa.
Do olhar do guacho que levanta, espreguiçando,
da faceirice do meu cusco, abanando a cola.
Do canto do galo, primeiro a ver a aurora, repechando
as últimas dobras da coxilha, onde se acampa.

Esta semana me toca a recolher.
Total é a vida campesina do peão.
Prender o fogo no galpão,
arrimar cambonas para o mate,
enfrenar o sogueiro e trazer pra mangueira,
a muda de pingos iguais de pêlo e marca.
Pois não tarda o alvoroço da peonada buena
pra mais um dia de trabalho assinalar em sua tarca
de vida e lida nas estâncias da fronteira.

Buenos dias, meus senhores!
Buenos dias, respondem os da mateada, ao que chegou!
Mateiam e o ronco da cuia
é o único som que desperta o xirú
do fascínio que provocam as labaredas,
repontando o pensamento a corredores longos
onde uma ponta de saudade vai tranqueando solta,
rumo à querência de um querer que aos tombos
vai se domando nesta ausência tão alpeda.
Uma costela gorda, uma paleta
respingando graxa no brasedo.
Consumo escolhido a dedo, no rebanho do patrão.
Esperam campeiros que encilham seus ruanos.
A manhã se torna grande para quem madruga
e o índio precisa estar bem puchereado,
pois mete os encontros e nunca refuga
e a carne da ovelha reforça o tutano.

Num de repente chega o capataz
e cumprimenta, dizendo: - Vamo pegá moçada!
E como é lindo ouvir e nos agrada
o ruído dos tiradores, o tilintar de esporas
rumo aos fletes que relincham.
Eles sabem, companheiros do homem da campanha
que chegou em que a faina recomeça
e se domados foram, perderam as manhas.
Trabalham mano a mano e nunca se queixam.

E lá vão eles, cavalos e homens.
Campeiros, tranqueando, trocando orelhas, proseando.
Assim cruzam o potreiro, pacholeando, rumo ao posto
Há muito o que fazer, estância grande e bem povoada.
Gado de cria, novilhada gorda, bois de tropa.
Rebanhos de velhas, branqueando o verde pasto.
Manada de crioulos que seguindo o garanhão, galopa
num tropel surdo, bem pra o fundo da invernada.

E quando voltam, homens e cavalos,
cansados, latem os cachorros festejando a volta.
As garras encilham velhos cavaletes
e os fletes, lombo lavado, se vão ao potreiro
e junto a peonada pra o bando de sanga.
O caseiro já tem as cambonas chiando,
pois sabe que a lida do peão não é a changa
e o mate é o que mata o torpor do campeiro.

Ah! Essas imagens da campanha,
puras, naturais, tão expressivas em sua singelez
nos fazem transbordar a alma de esperança
num tempo novo, para as novas gerações.
No claro alvorecer dessas querências
que há de fazer este Rio Grande, mais Rio Grande
e colocar à luz do sol, nossas consciências
e a igualdade em nossos corações.

REZA FORTE




Aecio Kauffmann

Reza forte a de ocês,
que implicou melhora e sorte.....
Minha prenda ,outra vez
tá em casa...E olha o porte!!!!!

Se desmanivrou dos home.
Se saiu com galhardia.
Tirou dez em cada exame.
Tá de novo uma guria.

Na verdade eu exagero
ao falar do seu estado,
mas Norah, p’ra ser sincero,
já driblou o mau-olhado.

Volta as lides como antes
a comandar, lá da cama,
todo o mundo...Té os distantes.
Só dos netos não reclama.

Tá com a voz ainda triste.
Ainda um pouco ofegante.
Tá comendo poco alpiste.,
mas tá linda e elegante.

Acho que ela recupera
todo ardor esfusiante,
já que nela não se altera
o tom doce e cativante.

Enfim nós agradecemos
o interesse do conjunto
e a fé que todos nos temos
a rezar e a rezar juntos.

Rezo eu, reza quem pode
que o rezar é um forte rito.
que de nós, assim,sacode
o mal que se estava inscrito.

Na verdade, tá novinha.
Ta brilhando feito folha
de parreira que à vinha
guarda a uva e dá escolha

as mãos que colhem os cachos
que se transformam nos vinhos
das damas e cá dos machos
que os sorvem com seus vizinhos..

E a la grá cria tchê ! Xo brega !
É faca... É faca na bota!
Guria que não se entrega.
Se quebra, mas não se entorta.

É isto ai minha gente
les agradeço no mas
aos que, como eu,menos crente
e aos que acreditam mais.

Les agradeço,repito
E a voz vem do fundo d’alma.
De obrigado é o meu grito
que “de inojos” vai as palmas.

E há um tisco de egoismo
na minha felicidade,
pois le invejo o estoicismo,
que le acompanha na idade,

pois,de alma franca e faceira
se veio assim pela vida,
e sendo sempre a primeira
a me lembrar que na lida

não me bastasse co’o empate.
Que me preferia morto
do que buscando arremates
em troca de algum conforto.

Le devo tudo o que sou.
Le devo tudo o que tenho.
E se não sei pr’onde vou
nunca esqueci d’onde venho

Meus amores



Entre os amores que eu tenho
O pingo, a china e o pago
E esta guitarra que trago
Das origens de onde venho

E o poncho toldo cigano
Que balanceia nas ancas
Do pingo gateado ruano
Malacara, patas brancas

No rancho sobre a coxilha
Contemplando a várzea infinda
Tenho a xirua mais linda
Do que flor da maçanilha

Deixo que a lua se estenda
E o mundo fica pequeno
Enquanto bebo o sereno
Nos lábios da minha prenda

Nesta tropeada reiuna
A camba do freio é o norte
E apenas mendingo a sorte
Que me deu tanta fortuna

É a sina dos cruzadores
Andar caminhos sem fim
Sou dono dos meus amores
Só tu és dona de mim...








verdade campeira



"Um sul de verdade campeia em meus olhos
De bota e bombacha, montado a capricho
De alma amansada curtida da lida
Com a doma da encilha na ponta dos cascos...
Um sul de verdade galopa comigo
Sujeitando o pingo nas cambas do freio
Sovando os arreios nas léguas do pago
Reunindo o gado num pelado de rodeio..."










arte crioula




"...Paleteada é lida bruta
Nascida nas "escaramuças"
Quando se apartavam tropas
Em "machaços" atropelos
A encontro e a bico de bota
Tirava o boi do refugo
que reboleava o sabugo
na direção do sinuelo."












"Quando o verso vem pras casa"


A Calma do tarumã ganhou sombra mais copada
pela várzea espichada com o sol da tarde caindo,
um "pañuelo" maragato se abriu no horizonte,
trazendo um novo reponte pra um fim de tarde bem lindo.
Daí um verso de campo se chegou da camperiada,
no lombo de uma gatiada frente aberta de respeito,
desencilhou na ramada já cansado das lomjuras
mas estampando a figura campeira bem do seu jeito.
Cevou um mate pura-folha cevado de maçanilha,
e um ventito da coxilha trouxe coplas entre as asas,
pra querência galponeira onde o verso é mais caseiro
templado a luz de candeeiro e um quarto gordo nas brasas.
A Mansidão da campanha traz saudades feito açoite,
com olhos negros de noite que ela mesma aquerênciou,
e o verso que tinha sonhos pra rondar a madrugada
deixou a cancela encostada e a tropa se desgarrou.
E o verso sonhou ser casa com sombra de Tarumã,
ser um galo para as manhãs ou um gatiado para encilha,
sonhou com os olhos da prenda vestidos de primavera
adormecidos na espera do sol pontear na coxilha.
Ficaram arreios suados e um silêncio de esporas
um cerne com cor de aurora queimando em fogo de chão,
uma cuia e uma bomba recostadas na cambona,
e uma saudade redomona pelos cantos do galpão.






Instinto Crioulo





"A sede de liberdade rebenta a soga do potroque parte em buca do pago,
e num galope cortando a coxilha ao meio, mordendo o vento na cara..."










*****








"É doce de boca, domado a preceito...
É manso e tranquilo mas sempre de geito
se acaso lhe toca correr boi gavião...
...Heráldico flete que pelas manadas
resiste tal fosse um gaudério brasão."









Charla de Domador



Charla de Domador
Gateado e mouro, pangaré e lobuno
Tordilho e baio me criei domando
Qualquer é bueno quando tem comando
Ninguém é mestre se não tem aluno
Quem doma sabe aprendeu com o potro
Maestro rude desta lida braba
Só existe um jeito de evitar a baba
Em lua nova não se enfrena potro
Bocal e rédeas maneador carona a cincha o basto e o
pelego branco
O jeito lindo de alargar o tranco e anca macia pra
levar a dona
Domar e ciência mas precisa raça garrão de touro pra
enfrentar a lida
Nesta carpeta onde se joga a vida não vendem fichas
para jogar de graça
Buçal cabresto tirador chilena
Sinchão de pardo e o garrão borraio
Um mango feio pra surrar cruzado
E uma de canha pra espantar as penas
O brabo mesmo até parece farra
Pro andarengo tu nem sabe quanto
Depois de tudo envelhecer domando
Sem ter um flete pra soltar as garras
(Luiz Marenco)








Momento campeiro

"Um trago de canha,os amigos de fé...o pinho afinado,tocando milongase algum chamamé,com a alma gaúchae um sonho dos buenoseu guardo a querência......a vida anda braba,e só mete a caraquem tem a vivência...





"Trecho de "Diário de um fronteiriço"


Érlon Péricles


Bagé - Rio Grande do Sul - Brasil





O cavalo crioulo na arte de Joca Martins


01. Se houver Cavalo Crioulo
02. A América é dos Guapos
03. Em mais um freio de Ouro
04. Estância São Rafael
05. A Marca BT
06. Tesouro da raça
07. Lá na Estância Nazareth
08. Crioulo nos EUA
09. Potro de Ouro
10. Estância da Carapuça
11. Cabanhas de sucesso
12. Parceiros de campo
13. La invernada Hornero
14. O Tipo Pons
15. O Cavalo Crioulo
16. O valor do Cavalo Crioulo
17. Alma Crioula
18. Ginetes de Ouro