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Cavalo Crioulo

O pampa americano era de ninguém
Um continente à espera de seu senhor
Quando aportou a nau que vinha do além
Trazendo o europeu colonizador

Que pra tomar a terra como um tropel
Se armou da valentia de4 seu corcel
E este cavalo ibérico ao fim se alçou
E o pampa recriou

Então a seleção se fez natural
Sobreviveno apenas quem se moldou
Ao ambiente agreste que era bagual
E assim foi que o crioulo se aquerenciou

E se tornou nativo desse rincão
Como um diamante sem a lapidação
Pro tino do campeiro selecionar
Trabalho secular

Cavalo é crioulo porque é o padrão
"Del gaucho" e dos gaúchos mais atuais
Um sonho que se cria cada vez mais
No fundo da invernada do coração

No lombo de um gateado me sinto um rei
E o mundo todo gira na minha lei
Pois com o pé no estrivo, a rédea na mão
A alma sai do chão

Vieram então as marchas pra comprovar
Toda uma resistência que é sem igual
E a exposição do freio pra consagrar
Um biotipo lindo e mais funcional

E o mundo do campeiro testemunhou
Um pingo que montado se agigantou
E além de dar serviço passou a ser
De esporte e de lazer

Cavalo que anda pronto pra um desafio
Que na arrancada junta o zebu gavião
Que num giro de patas faz currupio
Que na esbarrada espalha a cola no chão

A história de amor que não tem mais fim
É a história do crioulo viva paixão
Um sonho pela rédea o cavalo enfim
Do peão e do patrão!

Composição: Mauro Ferreira / Luiz Carlos Borges

Céu, Sol, Sul Terra E Cor


Eu quero andar nas coxilhas sentindo as flexilhas das ervas do chão

Ter os pés roseteados de campo ficar mais trigueiro que o sol de verão

Fazer versos cantando as belezas desta natureza sem par
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar

É o meu rio grande do sul
Céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor

Eu quero me banhar nas fontes e olhar o horizonte com deus
E sentir que as cantigas nativas continuam vivas para os filhos meus

Ver os campos florindo e crianças sorrindo felizes a cantar
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar


É o meu rio grande do sul
Céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor

Eu quero me banhar nas fontes e olhar o horizonte com Deus
E sentir que as cantigas nativas continuam vivas para os filhos meus

Ver os campos florindo e crianças sorrindo felizes a cantar
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar

É o meu rio grande do sul
Céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor

El Bocal - Leonel Gomez

No hay mirada mas linda
Que la de un criollo bagual
Con su crinera enredada
Esperando rienda y bocal...

En el palenque, clavado,
Frente a la estancia, el zorzal;
Cuantas golpeadas de potro
Que allí se ataran el bocal...

Y así salían en corcovos
Hasta el desarrollo del potro,
Y entonces el bocal, colgadito
En la ramada esperaba por otro...

Cuando los dias se iban
Y el trabajo lo hacía redomón;
El domero, domingueando salía
Al pueblito, de su gaucho rincón...

Al bocal, que hace del potro
Tchê caballo del hombre campero;
En esos versos, un regalo sencillo
Que le entrega de alma, un domero...



El Bocal - Leonel Gomez







Bastos, Potros E Guitarras

Bastos, Potros E Guitarras
César Oliveira e Rogério Melo


Basto, potros e guitarras
Guitarras, potros e bastos
Cantigas cheirando a pastos
Milongas, polcas, chamarras

Um maula berrando forte
Um “recal” ringindo os tentos
“Contra-punteando” com os ventos
Que se levantam do norte

Se eu pudesse cantar versos
Como sou esporeador
Conquistava a china Rita
Cantando versos de amor

D’um potro faço a guitarra
Da guitarra faço potro
E antes que a noite me alcance
Largo um e encilho o outro

Quem me dera Ter na alma
O corpo de um “Martin Fierro”
E as batidas de um cincerro
Me atormentando a calma

Quem me dera Ter nos dedos
O que sobra nas esporas
Pra guitarrear nas nas auroras
E revelar mil segredos

Porém me sobra o que tenho
Pois tenho pouco floreio
Meu canto é mescla das ânsias
Dos que vivem dos arreios

Sovéus, maneias e “riendas”
Fazem parte dessa farra
Porque a vida entreverou
Bastos, potros e guitarras










Pequenos Fragmentos de Um Ritual de Campo

Pequenos Fragmentos de Um Ritual de Campo
César Oliveira e Rogério Melo


Rompe a vida pelo bico de um "galito" em clarinada
A sogueira madrugada volteia a tropa dos astros...
Quando lavam-se as caúnas e enlobunam-se os braseiros
A lida estriva os campeiros pra seguir batendo cascos!

Centauros em fletes buenos bebem o sereno da aurora
Guizos de laços e esporas sonorizam invernadas...
Singrando campos dobrados entronados nos "recaus"
De longe, parecem naus, formando "gauchas" esquadras

O tranco largo das horas atora o dia no meio...
Com pingos mordendo freios e as bocas secas por mate!
Pra estância marcham papeando, pauseando a campereada
Depois da bóia, a sesteada! E a vida volta ao embate

Com a sombra seguindo a bota sobre a escolta de ovelheiros
Alçam a perna os campeiros que á tarde tem mais labuta
Aparte, banho, "bichera", ovelha e vaca parindo
Arame quase caindo! Na certa tem reculuta!

Quando o sol completa a via e o dia fecha o rodeio
Homens, cachorros e arreios retornam aos galpão das casas,
A alma volta aos tições dos galpões chimarroneiros
E acordes chamameceiros carregam coplas nas asas

A noite emponcha as "cunheras" e as estrelas descem ao campo
Plasmadas nos pirilampos, nos olhos dos animais
Vêm sarandear nos luzeiros dos candeeiros pacholas,
Vêm descansar nas esporas que guardam a dor dos baguais.














Romance Do Pala Velho

Romance Do Pala Velho
Joca Martins

Uma vez fui pra cidade na maldita perdição
Lá perdi meu pala velho que me doeu no coração.
Quando voltei da cidade, vinha com dor na cabeça
Cheguei fazendo promessa, Deus permita que apareça.

Encontrei xirú do posto e não deixei de maliciar
Que ele achou meu pala velho e não queria me entregar
Fui dar parte ao comissário, ficou pra segunda-feira.
Me levaram na conversa, se foi a semana inteira.

Veja as coisas como são, como se forma a lambança
Que pelo mal dos pecados era o forro das crianças.
Com este meu pala rasgado, passava campos e rios
Com este meu palinha velho não temo chuva nem frio.

Foi forro para as carpetas e em carreiras perigosas
"Inté" serviu de agasalho pra muita prenda muita prenda minosa
"Inté" nas noites gaudérias meu pala soltito ao vento.
Ia abandonando pachola pras luzes do firmamento.

Informem nas vizinhanças este triste sucedido
Quem tiver meu pala velho que prendam este bandido.
Neste mundo todos morrem, da morte ninguém atalha.
Me entreguem meu pala velho pra eu levar de mortalha.