fotografia campeira por Diego Bilhalva
Mostrando postagens com marcador fotografia 'La Madre'. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fotografia 'La Madre'. Mostrar todas as postagens
Tordilho loco de bueno!!!
Assim que o gaúcho vê o mundo..
O olhar do cavalo perdido nos campos do Rio Grande do Sul.
Diego Bilhalva - Fotografia
JARDIM NATURAL
Albeni Carmo de Oliveira

Meu campo florido
Meu jardim natural,
Teu doce caudal
De rara beleza.
Me dá a certeza
De um mundo de paz,
E força tenaz
Da mãe natureza.
Meu campo florido
Meu jardim natural,
Onde a cada final
De um dia eu caminho.
E fico sozinho
Fito bosques e montes,
Buscando Horizontes
De amor e carinho.
Meu campo florido
Meu jardim natural,
Onde em tom fraternal
Vivem pássaros e gado.
De manhã orvalhado
Cheira rio e barranca,
E a geada tão branca
Te deixa queimado.
Meu campo florido
Meu jardim natural,
Este pobre mortal
Que canta em teu louvor.
Pede a Deus um favor
Quando a vida findar,
Em ti me enterrar
E renasça uma flor.

MÃE CRIOULA
Jayme Caetano Braun
Tamanho da fonteMãe crioula do Rio Grande
Sacrossanta criatura,
Olho-d'água de ternura
Na velha várzea pampeana,
Não há rincão de alma humana,
Onde não se erga um altar
Somente pra te adorar
Como Deusa e soberana.
Mãe crioula do Rio Grande,
Legenda de mil amores,
Campo bordado de flores,
Delicadas, sem espinhos
Sombra amiga dos caminhos,
És o sagrado reduto
Onde o xiru, por mais bruto,
Aprende a beber carinhos!
Mãe do piazito dos ranchos
Ao desamparo da sorte
Desses que rolam sem norte
Pelos atalhos da vida;
Mãe que embala comovida
O amado filho campeiro,
Rezando à luz do candeeiro
Pra que ele cresça em seguida.
Mãe do gaudério sem lei
Que um dia se foi embora;
Mãe santa e buena que chora
Antes do filho partir;
Mãe que não sabe pedir
Por ter medo de magoar;
Mãe que de tanto chorar
Desaprendeu de sorrir.
Mãe do pobre peão de estância
Miserável dos galpões.
O paria das solidões
Maltrapilho, analfabeto;
Mãe que sob humilde teto
Pressente o trote do pingo,
Do filho que vem, domingo,
Trazer-lhe um pouco de afeto.
Mãe da chinoca inocente
Que enfrentando um mundo novo
Um dia caiu no povo
Pialada por sorte à-toa;
Mãe Divina, sempre boa,
Que lá ficaste sozinha
Rezando pela chininha,
Pois a mãe sempre perdoa.
Mãe dos tauras que morreram
Em peleias de outras eras;
Mãe que ao cruzar nas taperas
Sente que o peito se inflama,
Porque sofre o mesmo drama
Que alguma outra mãe sofreu
E recolhida ao seu eu
Em lágrimas se derrama.
Mãe que sofre ouvindo guacho
Rinchando, de tardezinha,
Como a chamar a mãezinha
Num triste e longo estribilho,
Por ver no pobre potrilho
O pesar grande e profundo
Do filho sem mãe no mundo
Que o possa tratar de filho.
Mãe gaúcha incomparável,
Rainha do Céu azul
Mãe do Rio Grande do Sul,
Mãe do centaura charrua,
Nem estrelas, nem a Lua,
Jamais te igualam no brilho
Quando a sentença - Meu filho
Entre teus lábios flutua.
Por isso é que, reverente,
Santa mãezinha querida,
Fonte de amor e de vida
Sacrificada aos deveres,
Sinto o maior dos prazeres
Ao beijar-te, Anjo Bendito,
Pois em ti eu beijo contrito
O mais sagrado dos seres!.
Céu, Sol, Sul Terra E Cor
Eu quero andar nas coxilhas sentindo as flexilhas das ervas do chão
Ter os pés roseteados de campo ficar mais trigueiro que o sol de verão
Fazer versos cantando as belezas desta natureza sem par
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar
É o meu rio grande do sul
Céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor
Eu quero me banhar nas fontes e olhar o horizonte com deus
E sentir que as cantigas nativas continuam vivas para os filhos meus
Ver os campos florindo e crianças sorrindo felizes a cantar
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar

É o meu rio grande do sul
Céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor
Eu quero me banhar nas fontes e olhar o horizonte com Deus
E sentir que as cantigas nativas continuam vivas para os filhos meus
Ver os campos florindo e crianças sorrindo felizes a cantar
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar
IMAGENS
Adair de Freitas
Tamanho da fonteQuando refugo meu catre,
cedito, que ainda não é dia nem noite,
da porta do galpão encho minh'alma
na paz que me transmite a calma
da imensidão da pampa.
Do olhar do guacho que levanta, espreguiçando,
da faceirice do meu cusco, abanando a cola.
Do canto do galo, primeiro a ver a aurora, repechando
as últimas dobras da coxilha, onde se acampa.
Esta semana me toca a recolher.
Total é a vida campesina do peão.
Prender o fogo no galpão,
arrimar cambonas para o mate,
enfrenar o sogueiro e trazer pra mangueira,
a muda de pingos iguais de pêlo e marca.
Pois não tarda o alvoroço da peonada buena
pra mais um dia de trabalho assinalar em sua tarca
de vida e lida nas estâncias da fronteira.
Buenos dias, meus senhores!
Buenos dias, respondem os da mateada, ao que chegou!
Mateiam e o ronco da cuia
é o único som que desperta o xirú
do fascínio que provocam as labaredas,
repontando o pensamento a corredores longos
onde uma ponta de saudade vai tranqueando solta,
rumo à querência de um querer que aos tombos
vai se domando nesta ausência tão alpeda.
Uma costela gorda, uma paleta
respingando graxa no brasedo.
Consumo escolhido a dedo, no rebanho do patrão.
Esperam campeiros que encilham seus ruanos.
A manhã se torna grande para quem madruga
e o índio precisa estar bem puchereado,
pois mete os encontros e nunca refuga
e a carne da ovelha reforça o tutano.
Num de repente chega o capataz
e cumprimenta, dizendo: - Vamo pegá moçada!
E como é lindo ouvir e nos agrada
o ruído dos tiradores, o tilintar de esporas
rumo aos fletes que relincham.
Eles sabem, companheiros do homem da campanha
que chegou em que a faina recomeça
e se domados foram, perderam as manhas.
Trabalham mano a mano e nunca se queixam.
E lá vão eles, cavalos e homens.
Campeiros, tranqueando, trocando orelhas, proseando.
Assim cruzam o potreiro, pacholeando, rumo ao posto
Há muito o que fazer, estância grande e bem povoada.
Gado de cria, novilhada gorda, bois de tropa.
Rebanhos de velhas, branqueando o verde pasto.
Manada de crioulos que seguindo o garanhão, galopa
num tropel surdo, bem pra o fundo da invernada.
E quando voltam, homens e cavalos,
cansados, latem os cachorros festejando a volta.
As garras encilham velhos cavaletes
e os fletes, lombo lavado, se vão ao potreiro
e junto a peonada pra o bando de sanga.
O caseiro já tem as cambonas chiando,
pois sabe que a lida do peão não é a changa
e o mate é o que mata o torpor do campeiro.
Ah! Essas imagens da campanha,
puras, naturais, tão expressivas em sua singelez
nos fazem transbordar a alma de esperança
num tempo novo, para as novas gerações.
No claro alvorecer dessas querências
que há de fazer este Rio Grande, mais Rio Grande
e colocar à luz do sol, nossas consciências
e a igualdade em nossos corações.
SOU TERRA DO RIO GRANDE
Adão Carrazzoni de Jesus
TUm soneto que enaltece a minha terra,
Que cante seus heróis, suas belezas,
Descrevendo coxilhas e canhadas,
Rio, matas, furnas, profundezas.
Está fora por certo, do meu pulso,
Longe estará também, da minha mente,
Que sonha e vê o futuro do Rio Grande,
Mas não sabe descrever tudo o que sente!
O Rio Grande está em mim, eu sou a terra
Que o lavrador arou sobre as coxilhas,
Que é pó dourado no céu do meu rincão!
Quero morrer ao cantar do quero-quero,
Ouvindo o mugir do gado nas flexilhas
Na terra cujo mapa é um coração...
REZA FORTE
Aecio Kauffmann
Reza forte a de ocês,
que implicou melhora e sorte.....
Minha prenda ,outra vez
tá em casa...E olha o porte!!!!!
Se desmanivrou dos home.
Se saiu com galhardia.
Tirou dez em cada exame.
Tá de novo uma guria.
Na verdade eu exagero
ao falar do seu estado,
mas Norah, p’ra ser sincero,
já driblou o mau-olhado.
Volta as lides como antes
a comandar, lá da cama,
todo o mundo...Té os distantes.
Só dos netos não reclama.
Tá com a voz ainda triste.
Ainda um pouco ofegante.
Tá comendo poco alpiste.,
mas tá linda e elegante.
Acho que ela recupera
todo ardor esfusiante,
já que nela não se altera
o tom doce e cativante.
Enfim nós agradecemos
o interesse do conjunto
e a fé que todos nos temos
a rezar e a rezar juntos.
Rezo eu, reza quem pode
que o rezar é um forte rito.
que de nós, assim,sacode
o mal que se estava inscrito.
Na verdade, tá novinha.
Ta brilhando feito folha
de parreira que à vinha
guarda a uva e dá escolha
as mãos que colhem os cachos
que se transformam nos vinhos
das damas e cá dos machos
que os sorvem com seus vizinhos..
E a la grá cria tchê ! Xo brega !
É faca... É faca na bota!
Guria que não se entrega.
Se quebra, mas não se entorta.
É isto ai minha gente
les agradeço no mas
aos que, como eu,menos crente
e aos que acreditam mais.
Les agradeço,repito
E a voz vem do fundo d’alma.
De obrigado é o meu grito
que “de inojos” vai as palmas.
E há um tisco de egoismo
na minha felicidade,
pois le invejo o estoicismo,
que le acompanha na idade,
pois,de alma franca e faceira
se veio assim pela vida,
e sendo sempre a primeira
a me lembrar que na lida
não me bastasse co’o empate.
Que me preferia morto
do que buscando arremates
em troca de algum conforto.
Le devo tudo o que sou.
Le devo tudo o que tenho.
E se não sei pr’onde vou
nunca esqueci d’onde venho
Assinar:
Postagens (Atom)

























