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Cavalo Crioulo - HISTÓRIA E TRADIÇÃO


Descendente direto dos primeiros

cavalos trazidos para a América Latina pelos espanhóis, ele está presente em
praticamente todos os estados da União, segundo mostram dados da Associação
Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) , com sede em Pelotas (RS).
Segundo o Relatório populacional da raça, emitido pela entidade, estão
registrados 84.741 animais, entre machos e fêmeas, espalhados por 22 estados
brasileiros.

Crioulo, O cavalo das Americas
fonte: Ana Lúcia Teixeira

O Cavalo Crioulo moderno

Criado no Brasil, hoje, sintetiza os melhores valores americanos. O "design " atual é o produto de melhoramento que uniu beleza exterior com a função. Os dados morfológicos, segundo garante o Superintendente de Registro Genealógico da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), Gilberto Loureiro de Souza, estão em sintonia com a funcionalidade.

Para Loureiro de Souza, foram as provas funcionais a grande mola propulsora que projetou a morfologia dos animais nacionais. "Os eventos funcionais tiveram o papel de rapidamente lapidar a morfologia de hoje. Até tempos atrás os animais eram avaliados pelo gosto pessoal. Já os julgamentos nas exposições, agora, visam a enquadrar o exemplar dentro de um modelo físico que dê respaldo a funcionalidade, afirma o superintendente, "queremos qualificar um biotipo de cavalo de sela, mas mantendo o enfoque dentro do padrão racial. Sabemos o que queremos e a nossa missão é orientar os produtores no sentido da obtenção de animais sempre melhores. A altura na cernelha, por exemplo, tem sido indicadores para a busca de exemplares com medida abaixo de 1,45m.

O diretor da ABCCC, acha louvável otrabalho da seleção desenvolvida nos úl-timos anos pois levou o criatório, rapidamente a um cavalo que é admirado na América Latina. Segundo Loureiro, é um compromisso e uma responsabidade manter essa qualidade, que retrata o desenvolvimento genético alcançado. Tivemos a sensiblidade de buscar melhores linhagens do exterior e tivemos ótimo resultado, festeja o veterinário.

O titular da Cabanha Tupambaé, Oswaldo Dornelles Pons reforçou afirmação de que o que persegue na Raça Crioula é principalmente a tipicidade e pureza racial. Isso significa um produto com silhueta de harmonia e equilíbrios perfeitos. O material morfológico deve oferecer "um vistaço", diz o proprietário da Tupambaé, que basicamente a descrição do fenótipo Crioulo deve ter uma cabeça típica com ganachas bem pronunciadas (maxilar inferior) , presa a um pescoço caracteristicamente leve e orelhas curtas e bem separadas.
Pons, que tem atuado como jurado em exposições no Brasil e exterior, destaca que as paletas devem ter inclinação adequeda a fim de desempenhar sua função de sustentação do corpo do animal, algo entre 400 e 450 quilos quando adulto. As canas (mãos) curtas e com aprumos corretos. Que seja perto do chão, boa linha superior (das orelhas ao tronco da cola). Crinas e cola fartas. Os garrões bem conformados.
Segundo Pons, estes elementos garantem uma silhueta própria de um biotipo retangular. A altura não pode ser inferior a 1,40m nem superior a 1,50m . Para o jurado, a altura ideal, entretanto é de exatos 1,42m. Através de estatísticas tem-se verificado que os três primerios colocados no Freio de Ouro apresentaram essa altura.

Um dos aspectos mais modernos da morfologia, certamente é o relativo ao trem anterior. A conformação propugnada pelos fundadores da Associação dos Criadores de Cavalos Crioulos, com relação ao pescoço, por exemplo, a a orientaçãoestá totalmente separada dos conceitos modernos de seleção onde a morfologia dá sustentação à funcionalidade: amplo, largo, forte, musculoso em sua inserção no tórax, o que diz o standard ou padrão, aprovado em sua fundação realizada em Bagé, em 28 de fevereiro de 1932. Mudança do mesmo calibre sofreu a estatura para fêmeas cuja altura mínima, que era 1,38m, passo para 1,40m, enquanto a altura máxima se manteve em 1,50m.

Segundo o veterinário Luiz Francisco Leite, técnico da ABCCC na região de Bagé e Dom Pedrito, a fixação genética da característica "pescoço leve, peito limpo, denota leveza no trem anterior. Segundo Luiz Francisco, "são fatores importantes para funcionalidade ". Acrescentou que o "animal mais leve na frente em maior liberdade de movimentos laterais já que não há deslocamentodo centro de gravidade pesando o dianteiro". E mais: com estas características o cavalo tem mais liberdade, agilidade e velocidade de movimentos no giro sobre patas, importante habilidade para o serviço nos bretes, onde se exige do cavalo verdadeiras manobras, dignas das mais talentosas contorcionistas. "Um dianteiro pesado desloca o centro de gravidade do animal, prejudicando os movimentos , reforçou Luiz Francisco Leite. e acrescentou: "posteiro, sim, tem que ser potente a fim de proporcionar mais potência impulsão para frente e vigorosa musculatura para frear nas esbarradas sobre patas, concluiu.

Crioulo, O cavalo das Americas
pesquisa: Ana Lúcia S. Teixeira

CAVALO CRIOULO no RS

A expanção do crioulo a partir do Rio Grande do Sul e o conceito que adquiriu entre criadores e aficcionados foi conquistada devido suas características de rusticidade e habilidade nas lides de campo.Forjada por uma rigorosa seleção natural ao longo de 500 anos no sul do continente americano, que apresenta tempetaturas elevadas no verão e extremamente baixas no inverno, a raça Crioula é hoje uma das mais conceituadas e valorizadas criações equinas não só no Brasil mas também no Uruguai, Argentina e Chile.

Neste contexto o Rio Grande do Sul se destaca não apenas com estado matriz, mas também pelo maior plantel crioulo, com 48.544 fêmeas e 24.359 machos registrados.A expansão dessa raça a partir do Rio Grande do Sul e o alto conceito que grageou entre criadores e aficcionados de todas as partes do país e também exterior, foi conquistada principalmente devido as suas características de rusticidade, habilidade nas lides de campo e mais recentemente nos esportes eqüestres, onde vem ganhando espaço.

PROVAS FUNCIONAIS


A eficiência funcional do crioulo, sua rusticidade, longevidade e baixo custo, atrairam muita gente para a raça. Hoje o número de criadores já ultrapassa os cinco mil, metade deles associados a ABCCC. Desse total grande parte não são do meio rural, tendo aderido a criação em busca do lazer ou das provas funcionais, organizadas pela Associação Brasileira de Criadores.

As provas funcionais foi que deram origem ao Freio de Ouro, uma competição realizada unicamente por esta raça. É o Freio que testa na prática toda a potencialidade e habilidade do cavalo Crioulo, envolvendo cerca de 800 animais em mais de 30 provas Credenciadoras.
Cada uma dessas credenciadoras selecionam no máximo 4 machos e 4 fêmeas para etapa seguinte, as Finais Classificatórias Regionais . Esta também selecionadam no máximo 4 machos e 4 fêmeas, sem reservas e desde que os animais atinjam 18 pontos pelos critérios de pontuação da ABCCC. Uma execeção é feita em relação a Classificatória de Montevidéo, no Uruguai, que seleciona somente dois machos duas fêmeas, fechando o número de animais que participaram da final de Esteio, em 30 machos e 30 fêmeas.

A grande final do Freio de Ouro é realizada em Esteio durante a Expointer, onde após dois dias de competições entre os melhores expoentes da raça, são conhecidos os campeões, macho e fêmea, que recebem a mais alta congratulação do meio crioulístico.

Ao longo de todo esse processo, praticamente um ano de competições selecionando os mais destacados exemplares para a Final, centenas de criadores e ginetes estão mobilizados, não só no Rio Grande do Sul, mas também no Paraná e São Paulo, onde são realizadas Finais Classificatórias e em Montevidéo, onde ocorre outra.
Este panorama dá uma idéia da dimensão que a raça alcançou, a sua organização de desenvolvimento.

LAPIDAÇÃO

As provas funcionais tiveram um poder de lapidação na morfologia da raça, declara o superitendente técnico Gilberto Loureiro de Souza. Ele diz que antes cada um buscava um tipo de cavalo que era uma orientação, um consenso de características que o Crioulo devia ter.
Porém foi depois do Freio, onde a análise morfológica é feita junto com as funcionais medindo o desempenho, que foi possível conhecer as verdadeiras características que devem ser comuns da raça.
"O crioulo deve ter o biotipo do cavalo de sela, abrigado dentro da sua tipicidade racial" destaca Loureiro de souza, complementando que a funcionalidade serve justamente para explicitar isto.
O General João Batista Figueiredo também foi entrevistado pela Horse Line a respeito da sua visita ao município de Jaguarão e a influência que o fato teve para a raça Crioula. Admirador de provas equestres de salto e adestramento e com raízes no campo, pois seu avô tinha estância no RS, ele lembrou com saudades aquele tempo.
"Adorei aquela festa gaúcha em 1980 e o que resultou daí porque com o cavalo Crioulo o gaúcho soube espalhar por praticamente todos os recantos do Brasil, uma cultura que era restrita ao Rio Grande do Sul.
De acordo com o general, o Crioulo é uma raça das que mais contribuiu na pecuária do Brasil devido as suas características de rusticidade e força. Ele aguenta 8 horas de trabalho direto no campo", salientou.
Apesar de considerá-lo baixo e pesado para a altura, Figueiredo experimentou um Crioulo em provas de salto e conta como foi. "Tive um cavalo Crioulo, o Bolicho, que ganhei quando estava na presidência e coloquei em provas de salto. Apesar de ter 1,48 metros de altura, o Bolicho saltava em provas de 1,50 metros. É que esta raça compensa o seu peso com uma força excepcional.
A amizade e a solidadade existente na família crioulista são fatores destacados pelo advogado Roberto Davis, da Cabanha Infinito, em São Sepé. Ele iniciou o seu criatório em 1992 e já ganhou uma Credenciadora em 94 e o sétimo lugar no FREIO DE OURO daquele ano com BT Debret - filho de Hornero - atribui ao incentivo, apoio e orientação que recebeu dos crioulistas, o bom desempenho que sua cabanha vem tendo.

Anteriormente sem vínculos com a vida campeira, Davis conta quesempre gostou de cavalos e ao ter uma oportunidade comprou a Cabanha Infinito, iniciando o seu criatório que conta atualmente com 91 animais entre machos e fêmeas.
Animadíssimo com a criação e as satisfações pessoais que está tendo nos finais de semana, onde o prazer de montar é compartilhado pela esposa e ostrês filhos, ele conta porque investiu nessa raça.

Eu conheci o cavalo Crioulo nas provas da Expointer e vi a identidade que ele tem com a América Latina e o Rio Grande do sul. A qualidade racial e a aptidão desse cavalo também são excepcionais, o que permite a competição com qualquer outra raça. Aí eu resolvi investir no que é nosso, mesmo porque nós temos aqui o maior banco genético do mundo no que diz respeito ao Crioulo".

A seleção criteriosa do cavalo Crioulo no RS, tanto no aspecto morfológico quanto funcional, desenvolveu, paralelamente a linhagem criada na Argentina, voltada principalmente ao aspecto morfológico e a chilena, mais preocupada com a função, uma linhagem brasileira. a opinião é do presidente da ABCCC , Paulo Móglia.

Segundo o dirigente, "temos hoje os melhores animais dentro da raça Crioula e pode-se dizer que já existe uma linhagem brasileira, aliando a morfologia argentina e a funcionalidade chilena".
Esta linhagem, diz Móglia, já é reconhecida pelos países vizinhos e deve-se as provas funcionais do FREIO DE OURO, responsáveis pelo grande desenvolvimento da raça em relação aos outros países.

Essa superioridade racial motivou um dos atuais objetivos da ABCCC, a expansão para outros tipos de provas onde o Crioulo se adapta muito bem, como cavalgadas e o enduro.
A Associação também está ampliando o seu atendimento aos associados, comenta o dirigente, auxiliando os novos criadores, dando assistência direta a todos e promovendo um intercâmbio entre os crioulistas tradicionais e os que estão entrando na raça.

Morfologia


O cavalo é um animal onde se conjugam a estrutura e a função. Seu corpo é adaptado para a velocidade e para sua grande dimensão, e é esta combinação que nos ajuda a compreender a sua estrutura. Os seus membros são especializados, têm um número de dedos muito reduzido e são acompanhados pela perda dos músculos - os que permitem a outros animais agarrar objetos.
O cavalo apenas move os membros para frente e para trás, o que lhe dá excelentes meios de propulsão.
A força de que necessita é dada por músculos muito desenvolvidos, que estão ligados aos ossos das coxas, tronco e antebraços.
Cabeça

- Perfil retilíneo, curta, delineada, fronte larga e bem desenvolvida, orelhas curtas, bem inseridas, olhos proeminentes e com vivacidade.


Pescoço

- Bordo superior subconvexo, crinas grossas e abundantes, bordo inferior retilíneo, forte, musculoso e de comprimento mediano.


Linha superior

- Cernelha com destaque moderado, musculosa, dorso mediano, musculoso, lombo musculoso, unindo suavemente o dorso e a garupa, garupa moderadamente larga e comprida, levemente inclinada proporcionando boa descida muscular para os posteriores.


Tórax, ventre e flanco

- Peito amplo, largo, profundo, paletas com inclinação mediana, musculosas, costelas arqueadas e profundas, ventre com razoável volume, flanco curto, unindo harmonicamente o ventre ao posterior.


Membros anteriores e posteriores

- Braços e cotovelos musculosos, antebraços aprumados, joelhos fortes, canelas curtas, com tendões fortes e definidos, aprumadas, cascos de volume proporcional ao corpo, medianamente inclinados, quartos musculosos, com nádegas profundas, pernas moderadamente amplas, garrões fortes e secos.


Pelagens Básicas

Alazão, Baio, Branco, Cebruno, Colorado, Douradilho, Gateado, Mouro, Oveiro, Picaço, Preto, Rosilho, Tobiano, Tordilho e Zaino.


Pelagens compostas

Alazão chamalotado ou apatacado: quando tem manchas mais claras e arredondadas.
Alazão dourado: o típico com reflexos do ouro.
Alazão típico: o que tem a cor da brasa ou da cereja.
Alazão ruano: quando tem a cauda e crina claras.
Branco albino, melado ou rosado: quando há uma despigmentação congênita, inteira ou parcial, das pestanas e da íris. Sua pelagem tem reflexos rosados. É sensível ao sol.
Baio branco ou claro: é uma tonalidade de creme desmaiado.
Branco mosqueado:o que leva pelo corpo, em forma irregular, pontos pretos do tamanho de uma mosca.
Branco porcelana: o que tem manchas pretas, as quais, por transparência, por meio dos pêlos brancos, produzem reflexos azuis da porcelana.
Baio achamalotado ou apatacado: quando apresenta manchas redondas e mais claras do que o resto do corpo.
Baio amarelo: é como uma gema de ovo, quando estendida numa porcelana branca.
Baio encerado: quando tem a cor mais escura, parecendo-se com a cera virgem.
Baio cabos negros: quando tem as extremidades dos membros, da cauda e a crina escuras.
Baio cebruno: também escura, levando no corpo manchas mais escuras do que o baio encerado.
Baio dourado: quando tem reflexos do ouro.
Baio ovo de pato: quando tem uma cor amarelado creme. Sua crina, cauda e cascos também são cremes.
Baio ruano: é um baio com a cauda e crina claras.
Colorado típico: é avermellhado com o tom claro.
Colorado pinhão: tem a cor do pinhão.
Cebruno ou barroso: com a tonalidade mais escura do que a do baio cebruno, parecendo-se com a cor do elefante.
Douradilho: é um colorado desmaiado com reflexus dourados.
Douradilho pangaré: é o que tem o focinho, axilas e ventre mais claros.
Gateado típico: é um baio escuro acebrunado nas quatro patas e com uma linha escura, que vai da cernelha à garupa, com aproximadamente dois dedos de largura.
Gateado osco ou pardo: é mais escuro que o típico, assemelhando-se ao gato pardo.
Gateado pangaré: o que tem o focinho, as axilas e o ventre com a pelagem mais clara.
Gateado ruivo: o que tem a cauda e a crina aproximada a cor do fogo.
Lobuno claro: quando se parece com a plumagem de uma pomba.
Lobuno escuro: quando mais escuro do que o lobuno claro.
Zaino claro: da cor da castanha.
Zaino negro: como a castanha mais escura.
Preto típico: tem a tonalidade semelhante ao carvão.
Preto azeviche: preto vivo com reflexos brilhantres
Tordilho claro: quando tem predominância de pelos brancos.
Tordilho negro: predomina os pelos pretos. Com a idade vai se tornando claro.
Tordilho chamalotado ou apacatado: quando com manchas arredondadas mais claras.
Mouro negro: se parece com o tordilho negro, com tonalidade azulada.
Mouro claro: é um gris azulado.
Oveiro azulego: é um mouro claro com manchas brancas.
Oveiro bragado: quando em qualquer pelagem portam manchas isoladas no baixo ventre.
Oveiro chita: é overo com manchas brancas salpicadas num fundo rosilho.
Oveiro de índio: qualquer pelagem com manchas de tamanho médio.
Oveiro chita: é overo com manchas brancas salpicadas num fundo rosilho.
Rosilho abaiado: quando tem pelos amarelados entre o vermelho e o branco.
Rosilho claro ou prateado: quando predominam os pelos brancos sobre os vermelhos.
Rosilho colorado: quando predominam os pelos vermelhos sobre os brancos.
Rosilho gateado: é um gateado com pelos brancos.
Rosilho mouro: é uma mescla entre pelos vermelhos, brancos e pretos.
Rosilho overo: quando dentro da pelagem rosilha tem manchas brancas.
Rosilho tostado: quando tem pelos tostados em lugar dos vermelhos.
Tobiano baio: é um baio nas mesmas condições dos demais tobianos.
Tobiano colorado: é um colorado nas mesmas condições do tobiano negro.
Tobiano negro: é um preto com manchas brancas grandes divididas com o preto.
Tobiano gateado: é um gateado nas mesmas condições dos demais.
Zaino claro: da cor da castanha.
Zaino negro: como a castanha mais escura.
Também existem tobianos cebruno, alazão, douradilho, zaino, tordilho, etc.


Outros detalhes de pelagem

Entrepelado: o que tem uma mescla de pelagens diferentes, formando assim um total indefinido.
Pangaré: quando descolorido em algumas regiões do corpo, sobretudo nas partes inferiores, destacando-se nas axilias, focinho e ventre, seu descolorido se assemelha a cana da Índia.
Rabicano: quando nas caudas escuras tem pelos brancos na sua base.

Fonte: O Cavalo Crioulo: Seis Décadas de Experiência, de Dirceu dos Santos Pons
Livraria e Editora Agropecuária, 1993 e Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos - ABCCC

Cuide bem do seu cavalo


O cavalo sempre foi e sempre será o grande companheiro do homem, cabe a nós garantir a tão magnífica parceria homem/cavalo.
Para tanto precisamos ter conhecimento da espécie eqüina, respeito e saber “ler” as necessidades de cada animal.

“Cavalo... a magnitude desse animal cativou, atemorizou, exaltou o mundo.” frase citada por Rafael Nudelman que procura caracterizar o papel desempenhado pelos cavalos à humanidade. Na antiguidade o cavalo foi utilizado nas guerras, como animal de trabalho e tração. A partir do século XIX passou a ser posse da nobreza e extremamente exaltado. O cavalo foi e sempre será um animal de companhia para o homem, para tanto devemos conhecê-lo e saber tratá-lo da melhor forma possível para garantir sua sanidade e bem- estar.

Com a domesticação e a necessidade de animais cada vez mais resistentes e graciosos começaram os cruzamentos e com isso o surgimento das inúmeras raças que conhecemos hoje. Há exemplo, o cavalo Crioulo, cuja resistência, força e beleza conquistaram a admiração de todos nós. Mas não quer dizer que essa força torna o cavalo “objeto de tortura” ou até mesmo não merecedor de cuidados e bons tratos.

Apesar de não manifestar dor e desconforto tão facilmente como as outras raças, o cavalo Crioulo é muitas vezes super-exigido e sofre desgastes, desde a doma até o momento dos trabalhos a que se destina cada animal. Assim, princípios básicos como alimentação adequada, manejo correto, tratadores treinados e conscientes e, instalações bem estruturadas, conferem aos equinos uma boa qualidade de vida.

Todo proprietário/criador de cavalos deve atentar para as necessidades mais básicas em sua cabanha como fonte de água limpa e sempre a disposição, dieta balanceada, pastagens e boas instalações. Não esquecendo bons tratadores e domadores que não utilizem da violência para conseguir respostas de seus cavalos e que saibam perceber desde as menores alterações que cada animal venha a apresentar.

Como também as pessoas que montam esses animais que tenham a sensibilidade, de no momento das provas e cavalgadas, de respeitar os limites fisiológicos de seus cavalos. Sempre que possível faça seu cavalo sentir-se importante pra você, lhe dê afagos e recompensas. E, evidentemente, tenha um bom médico veterinário para fornecer assistência técnica especializada e garantir, assim, a sanidade aos seus animais.

Demonstrações de carinho e cumplicidade entre o homem e seu cavalo é o grande reconhecimento de uma grande parceria. Lamento ainda quando vejo animais abandonados e que passam por maus tratos, mas acredito no potencial do ser humano, em sua capacidade de demonstrar, embora, algumas vezes, somente frente a grandes cenas de crueldade e injustiça, afeto e consciência.

Não devemos desistir de tentar mostrar que os animais são seres que merecem respeito, atenção e cuidados assim como qualquer ser humano que, muitas vezes, não é merecedor de tais atos. Não nos cabe julgar, mas sim buscar a plenitude em atos que possam vir a “abrir olhos e corações” e dessa forma conquistar admiração dos demais.

“Chegará um dia em que o homem conhecerá o íntimo do animal, e nesse dia, todo crime contra um animal será um crime contra a humanidade” Leonardo Da Vinci.

Taísa Cristine Protti

Manejo Nutricional


Um bom manejo nutricional em uma cabanha é o primeiro passo para manter animais saudáveis e com bom desempenho em suas funções.
Para tanto, deve-se fornecer dietas adequadas para cada categoria animal e sempre pensar no alimento fornecido como um todo, a fim de evitar carências nutricionais ou até mesmo excessos.

Quando tratamos sobre a alimentação dos equinos surgem inúmeras teorias, práticas e experiências; mas devemos, necessariamente, pensar nas necessidades individuais de cada animal, de acordo com sua função e categoria.

Alguns proprietários de cavalos se utilizam da experiência de outros proprietários acreditando que se funcionou com os animais do outro poderá perfeitamente funcionar com os seus. Teoria absolutamente equivocada. Uma vez que, cada animal e cada propriedade têm suas particularidades e não necessariamente por que funcionou com os equinos da outra pessoa irá funcionar com os seus. Nessas situações é sempre de grande valia pedir auxílio a profissionais especializados que irão analisar as condições de sua propriedade e de seus animais indicando assim uma dieta adequada para cada caso.

De maneira geral, em se tratar das dietas dos equinos devemos pensar isoladamente em cada categoria (éguas prenhes, potros em crescimento, garanhões, etc.) e no alimento como um todo. Ou seja, nas necessidades nutricionais apresentadas por cada animal individualmente e se a alimentação contém todos os nutrientes essenciais para suprir as exigências orgânicas desses animais.

O primeiro passo é a escolha do capim que melhor se adapte a sua propriedade. Para tanto, análise de solo, clima e custo-benefício deve ser realizada. Lembrando que, muitas vezes, um capim ou feno de ótima qualidade é suficiente pra atender as necessidades de equinos em manutenção, valendo a pena investir nesse aspecto.

O segundo passo é estabelecer a dieta de acordo com a categoria e função do animal. Como exemplo, um eqüino de esporte, em que seu sistema muscular é extremamente exigido, ao contrário do que muita gente pensa, precisa de uma alimentação suplementada com maior teor energético do que protéico. Em cavalos atletas o teor de proteína total não deve ser superior a 14% na dieta.

As proteínas estão presentes em teor adequado em alimentações balanceadas. Quando se fornece um suplemento protéico por acreditar que irá melhorar o desempenho do animal nas provas, sem a prescrição de um especialista, se promove um desequilíbrio nutricional em que o organismo não conseguirá eliminar esse excesso, gerando alterações como hepatopatias, enterotoxemias, problemas renais, cólicas, entre outros.

Então, a preocupação deve estar em torno do teor energético da dieta. Suplementar as dietas com concentrados balanceados fazendo uso de rações industrializadas é uma excelente escolha. Uma vez que, a maioria das rações provenientes de fabricantes confiáveis contém teores adequados de energia para cada categoria animal desde que fornecidos em quantidade e freqüência corretas.

Portanto, proprietários e tratadores devem estar atentos à alimentação de seus cavalos sempre consultando técnicos especializados para evitar desequilíbrios nutricionais. Sempre lembrando que a nutrição é a base que, em conjunto com uma excelente genética, treinamento adequado, manejo e demais medidas preventivas, garante a sanidade, capacidade reprodutiva e altas performances de seus equinos.

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É sabido que a grande maioria dos problemas de fertilidade está relacionada à má nutrição. As éguas vazias, éguas até o 8o mês de gestação e demais animais em manutenção devem ser alimentados com ração e pastagem de ótima qualidade, com baixo teor energético e suplementação mineral. As éguas que estiverem muito magras, logicamente, precisam de um pouco mais de energia para recuperar estado nesse período.

As éguas no terço final de gestação requerem mais nutrientes para adquirirem reservas energéticas e garantirem um potro saudável e com peso adequado (período da gestação em que o potro cresce 2/3 de seu tamanho). A título de informação, as éguas gestantes devem ganhar 13% do peso vivo durante toda a gestação sendo que, no terço final, 10% desse peso deve ser ganho. Porém, não devem ser superalimentadas para evitar acúmulos de gordura e, com isso, problemas como retenção de placenta, infecções uterinas, potros fracos, etc.

Éguas em lactação usam as reservas adquiridas durante a gestação nos primeiros três meses desse período. Por isso, a importância da alimentação diferenciada no terço final da gestação; essa evitará que a égua perca muito peso devido ao estresse do parto e a produção de leite. Logo, a dieta deve ser suplementada com concentrado e minerais para que essa égua mantenha sua produção de leite e sua capacidade reprodutiva e, dessa forma, possa assegurar uma nova gestação já no “cio- do- potro”.

Aos 04 - 06 meses o potro já se alimenta, a produção de leite da égua diminui e com isso as necessidades nutricionais se tornam menores, logo, poderá ser alimentada com menor teor de energia. Contudo, a suplementação não deve ser “cortada” totalmente porque a diminuição da produção de leite é fisiológica (diminui gradativamente) e não é a dieta por si só que atuará nesse processo.

Nos potros em crescimento sua dieta inicia-se já no terço final de gestação e segue até seu 06 - 18 meses de idade (período compreendido entre a desmama e a doma). A dieta para essa categoria exige um teor de proteína aumentando (17-18% de proteína total na dieta), necessita de gramíneas de ótima qualidade, suplementação com concentrado e sal mineral.

Existem variações individuais no que diz respeito ao desempenho, rendimento e crescimento do potro. Por isso, a subalimentação deve ser evitada. Sendo esta detectada precocemente, se torna possível a recuperação do potro, através de dietas diferenciadas, a ponto deste “alcançar” os demais.

Logicamente, evitar a superalimentação também, porque ao contrário do que se pensa, sendo superalimentado o potro não será maior ou melhor que os outros. Esse desenvolvimento depende, além da alimentação, de fatores genéticos e da raça do equino. A superalimentação poderá ocasionar as Doenças Ortopédicas do Desenvolvimento.

Já os garanhões necessitam praticamente dos mesmos tratos que os animais em manutenção. Com exceção dos períodos de maior exigência (períodos de monta). É preferível que os garanhões não estejam com sobrepeso, uma vez que este dificulta a monta deixando o animal ainda mais agitado, prejudica articulações e, ainda, o excesso de gordura diminui a fertilidade. É interessante nos períodos de monta suplementar os garanhões com Ácidos Graxos Essenciais, minerais e vitamina E.

Evidentemente, como em qualquer outra categoria, esses animais devem ter acesso a uma fonte de água potável e sempre á disposição.

Por fim, além da preocupação com a qualidade e quantidade da dieta a ser fornecida às diferentes categorias, é importante fornecer a alimentação fracionada (varias vezes ao dia). De preferência fornecer primeiramente o volumoso e, posteriormente, o concentrado. Esse manejo, além de ser o mais adequado para um melhor aproveitamento dos nutrientes, servirá como um entretenimento para os animais encocheirados, evitando assim os vícios de comportamento.

fonte: Taísa Cristine Protti

10 IDÉIAS PARA FERRADURAS USADAS

Reciclar, utilizar materiais usados é uma prática comum em centros eqüestres. A você que está começando agora, aqui vão 10 idéias para o aproveitamento das ferraduras retiradas de seus cavalos:

• Limpadores de casco - peça a seu ferrador que fabrique a partir de ferraduras usadas, colocando-as na forja e modelando no formato de limpadores;

• Ganchos para cabeçadas – o mesmo ferrador pode entortar as ferraduras usadas transformando-as em ganchos para sua selaria;

• Cabides de agasalhos – para ficar na secretaria ou nos locais de convívio das pessoas do seu local;

• Tirador de botas – através da solda das ferraduras consegue-se modelar tiradores de botas. Seu ferrador, se experiente em forja, com certeza conseguirá fazer.

• Enfeites de piso – enfeite o piso do escritório, da lanchonete assentando ferraduras e até formando palavras com elas no chão.

• Tiradores de barro – fazendo uma moldura de ferraduras, e depois soldando ferraduras esticadas na forja você tem um ótimo raspado de barro que fica na sola dos sapatos das pessoas. Você pode colocar este raspador na porta do escritório, na entrada da lanchonete e em locais onde o as pessoas circulam;

• Portão – novamente soldando, desta vez com um serralheiro experiente, você pode montar um portão inteiro de ferraduras, partindo de uma armação de ferro que sustente as ferraduras soldadas;

• Pé de mesinhas e apoios para caixas – as ferraduras servirão como nos pés dos cavalos – apoiando pequenas caixas de escova ou até mesinhas;

• Ganchos para selas em provas – com uma corda de feno e uma ferradura se tem um ótimo ganho de sela, onde você enrosca a sela pela corda e prende pela ferradura na própria corda.

• Peso de mesa – limpando, lustrando e mantendo a ferradura lustrada você tem um excelente peso para guardanapos, papeis e afins.

Estas são pequenas e simples idéias que podem ser criadas a partir de ferraduras usadas. Assim como com as ferraduras, você pode criar materiais a partir de outras fontes como crinas, pedaços de couro, bridões e freios!



Aluisio Marins

Origens da Raça

O Cavalo Crioulo originou-se das raças ibéricas – andaluz e lusitano – que, na época da colonização, foram trazidas pelos portugueses e espanhóis, tendo se espalhando principalmente pelos pampas sul-americanos, inclusive Argentina, Brasil, Paraguai, Chile e Uruguai.

Em 1493, cavalos espanhóis pisaram pela primeira vez nas Américas, na ilha La Española - hoje São Domingos. Em 1535, Dom Pedro de Mendoza já trouxe cavalos. Em 1538, Dom Alonso Luis de Lugo trouxe da Espanha 200 cavalos e Dom Hernando de Soto trouxe mais 100 cavalos. Em 1541, Dom Alvar Núñez Cabeza de Vaca trouxe mais cavalos diretamente da Espanha para o sul da América.

Os cavalos que suportaram a travessia do Oceano Atlântico, nas condições precárias daquela época, eram muito resistentes e logo se adaptaram às novas condições de clima e alimentação, reproduzindo-se mais e mais. Com os anos, esses sobreviventes da seleção natural feita pelas condições inóspitas do meio, reproduziram-se tanto, que superaram as necessidades e possibilidades dos primeiros colonizadores, que já não podiam manter todos sob controle. Isso aconteceu tanto no norte, quanto no sul das Américas.
Assim, os rebanhos primitivos de cavalos se dispersaram das missões, fazendas ou “ranchos” atacados pelos índios, esqueceram a domesticação e formaram enormes rebanhos selvagens, que no México foram chamados de “mesteños” e nos Estados Unidos de "mustangs". No caribe e na América Central foram chamados de "cimarrones". No Rio da Prata os designaram como "baguales". Dos originais “ginetes” andaluzes, possivelmente muitos morreram durante as conquistas, mas outros, sem dúvida, se reproduziram e seus descendentes, aclimatados pelo meio americano durante muitas gerações, forjaram essas populações crioulas, constituídas pelo “pequeno grande cavalo da América”, como acertadamente batizou Guilherme Echenique.
Esses animais que se tornaram selvagens desenvolveram características como força, rusticidade e adaptação ao meio. Eram animais de estrutura excepcional com funcionalidade e morfologia superiores.

Os cavalos crioulos, antes mesmo de serem registrados como raça, foram companheiros inseparáveis dos pioneiros que colonizaram o Sul do país, sendo, por muito tempo, o único meio de transporte, tanto dos fazendeiros quanto das tropas que fizeram revoluções e defenderam as fronteiras no sul do Brasil.

fonte: portal crioulos

A importância do correto Casqueamento em Equinos


A qualidade do casco está relacionada diretamente com quatro fatores que são a hereditariedade, nutrição, ambiente e casqueamento. É de extrema importância o acompanhamento do desenvolvimento do casco desde o primeiro mês de vida do eqüino. O correto manejo associado ao trabalho de um bom profissional que realize um correto casqueamento e ferrageamento respeitando as características da raça e a função do animal pode determinar o tempo de vida útil de um cavalo atleta.

O desequilíbrio dos cascos é um importante causador de claudicação em cavalos atletas, principalmente nos membros anteriores.
O casqueamento consiste na aparação dos cascos, restabelecendo o equilíbrio das estruturas que compõe a pata do cavalo. Uma vez casqueado e ferrageado corretamente o cavalo irá melhor seu desempenho.

O casqueamento também funciona como um método barato na prevenção de doenças musculoesqueléticas que geralmente acometem os cavalos submetidos a provas e trabalhos exaustivos. O ferrageamento é utilizado como método complementar na proteção dos cascos e em casos específicos na correção da andadura.


As causas mais comuns de claudicação em eqüinos estão relacionadas com alterações que envolvem principalmente os cascos dos membros anteriores. O casqueamento e o ferrageamento agem sobre o casco e membro proximal, influenciando a distribuição do peso sobre o membro, assim como as forças aplicadas sobre os ligamentos e tendões.

Cascos fracos geralmente se apresentam com rachaduras, quebradiços e com inabilidade para reter ferraduras. Desta forma podemos perceber que a nutrição animal também é um fator determinante na saúde dos cascos, pois deficiências nutricionais influenciam a taxa de crescimento e a resistência dos cascos.

A função do casco é amortecer e igualar as forças que ocorrem entre o casco e o solo. Quando essas forças não forem uniformes o suprimento sangüíneo estará comprometido e um remodelamento da falange distal acontecerá, bem como uma distorção na simetria do casco. Acredita-se que o casco cresce simetricamente quando o peso é distribuído igualmente sobre o membro.

Quando mantidos em baias, os cavalos passam a exigir cuidados especiais, principalmente relacionados aos cascos, pois a sujeira que se acumula nas baias, além da umidade excessiva são os maiores inimigos dos cascos. As afecções da ranilha são mais frequente quando ela fica em contato prolongado com a umidade, produtos químicos e ação de bactérias e fungos. Por isso recomenda-se a limpeza e inspeção dos cascos a cada dois dias.

Nem sempre os animais possuem uma conformação perfeita e desenvolvem problemas de aprumos que com o tempo podem se agravar. Por isso é necessário escolher bem o ferrador, pois este terá influência direta sobre o desempenho do cavalo.

Os cascos devem ser casqueados regularmente e quando ferrados deve-se respeitar o período de crescimento do mesmo sendo necessária a troca das ferraduras a cada quatro ou cinco semanas de acordo com a necessidade. Com o comprimento excessivo do casco a ferradura fica deslocada cranialmente sem proporcionar um suporte adequado dos talões o que além de predispor a contração dos talões, diminui a capacidade de absorção do impacto.

A má distribuição da força de impacto com o solo e o aumento da carga sobre um dos talões pode predispor o casco à dor, hematomas subsolares, rachaduras nos quartos e talões, fraturas de casco, osteíte podal, fissuras na base da ranilha e infecções. O Casqueamento é uma maneira de prevenir o aparecimento dessas lesões.

As correções devem ser feitas na pinças, assim mudando a ponta de quebra, sem mudar o apoio dos talões. Ao mudar a direção do ponto de quebra, é possível mudar a direção do crescimento.

A escolha da ferradura adequada é essencial para acomodar as diferenças de trabalho, piso e clima a que são submetidos os cavalos atletas. O ferrageamento corretivo é usado na administração de deformidades de membros anteriores e posteriores distribuindo o peso e melhorando a movimentação do animal e consequentemente aumentando seu desempenho.

fonte: Saline Santos dos Santos

O MANEJO DA RAÇÃO

Animais de competição, esporte, lazer, passeio, ou que necessitem de uma complementação em suas dietas, seguramente comem a chamada ração, tecnicamente chamada de concentrado. Os concentrados são misturas feitas a partir de matérias primas que são fontes das diversas partículas de alimentos e suplementos alimentares que os cavalos necessitam para desenvolverem atividades de mais esforço ou intensidade. Genericamente falando, os concentrados vieram para complementar o que os cavalos já tinham de alimentação natural – o capim – aumentando, assim, a quantidade de energia, proteína, minerais, etc necessários para o bom desempenho destes. Como exemplo simples, temos o milho encontrado na ração do seu cavalo. Este milho é uma das fontes de energia disponibilizados nos concentrados industrializados, que são hoje os mais comuns do mercado. Sem entrar no quesito marcas, temos no mercado hoje diversas opções de ração para os cavalos. Em uma pesquisa feita por uma destas industrias, grande parte dos problemas de saúde como cólicas e outros, quando reclamados pelos clientes como sendo a ração a fonte do problema, e uma averiguação por parte da fabrica, constatou-se que estes problemas são causados pelo mau armazenamento desta ração. Sacos embolorados, com fezes de ratos, sacos molhados, velhos e outros fatores foram constatados.



Algumas dicas para um bom armazenamento e manutenção de sua ração:



* Compre ração para no máximo 30 dias, se você tiver uma boa condição de armazenamento. Senão, compre sempre a cada 15 dias;

* Os sacos devem ficar longe do chão, em estrados, longe das paredes e longe do teto do quartinho;

* Não misture a sacaria de ração com sacos de adubo, sacos de venenos, etc.;

* Venenos de ratos devem ser colocados ao redor do quartinho. Evite colocar dentro do mesmo quartinho;

* Abra 1 saco por vez, acabe com este saco e abra outro;

* Não deixe ração no carrinho após o trato dos cavalos. Volte-a para o saco;

* Cuidado com os silos ou tonéis de armazenamento. As rações muito meladas podem embolorar com o tempo caso fiquem dentro por muito tempo;

* Cuide das goteiras do quartinho como cuida das goteiras de sua casa...



fonte: Aluisio Marins

O que é um cavalo Crioulo?

O cavalo crioulo é o que sofreu uma seleção natural da natureza. Carrega consigo uma carga maior de rusticidade em comparação aos outros. Por ser mais forte, é mais difícil de adquirir alguma doença.


Nesse sentido, é um animal mais adaptado aos serviços nas estâncias, principalmente trabalhando com os gados, percorrendo longos caminhos e se alimentando de pasto.

Entretanto, como explica Marcelo Montano Coelho, médico veterinário, inspetor técnico da ABCC – Associação Brasileira de Cavalos Crioulos e jurado da Lista 1 da prova de Freio de Ouro, isso foi em decorrência do seu biotipo.

“Devido ao biotipo morfológico da raça do animal, ele foi se tornando um cavalo atleta e sendo utilizado em provas como o Freio de Ouro, Paleteadas, Tiros de laço, Enduros e Campereada”, afirma Marcelo.

Ele explica também que outro motivo pelo qual a raça crioula tem sido usada nas provas, seria devido a sua estatura. “Este tipo de cavalo possui estatura média e é muito ágil. Foi selecionado geneticamente para ser um cavalo vaqueiro”, conta Marcelo.

Como todas as provas com cavalo crioulo são feitas com gado, o crioulo saberia lidar com isso melhor que outras raças por causa da sua seleção genética e de seu biotipo.

Para os cavalos de prova, os cuidados necessários seriam em relação à alimentação. “Precisaria de rações balanceadas com um nível energético maior, controlar os parasitas internos e externos, além de cuidar dos aprumos, como fazer casqueamento e ferrageamento”, lembra Marcelo.

Para que nenhum parasita se fixe no cavalo, é necessário fazer exames para um maior controle do animal, como fazer exames para nutaliose, que é um protozoário transmitido pelo carrapato.

Caso isso não adiante e o cavalo se infeccione, Marcelo aconselha que seja chamado um veterinário imediatamente. Afinal, é preciso cuidar muito deste animal, pois ele retribuirá com um ótimo desempenho físico, além de muita beleza, que só os crioulos possuem.


Fonte:Inema

cuidados com os cavalos crioulos


O cavalo crioulo, por ser um animal reconhecidamente "campestre", que trabalha na lida do campo tanto quanto o gado, não precisa de muitos cuidados. É um tipo de cavalo que foi adaptado aos serviços das estâncias.

Como carrega consigo uma carga de rusticidade maior que as outras espécies, é mais difícil, por exemplo, que ele fique doente ou contrarie alguma enfermidade que possa acarretar problemas mais sérios.

Entretanto, os cavalos de prova, como os que disputam as paleteadas, o Freio de Ouro e o Tiro de Laço, necessitam de uma atenção um pouco mais profunda, como com a alimentação, que deve ser balanceada com rações a fim de manter um nível energético mais elevado.

Os aprumos também são bastante observados. Por isso é necessário que o casqueamento e ferrageamento seja feito com pessoas especializadas para isso.

É importante salientar o grau de entendimento do profissional que fará os aprumos no cavalo, pois as patas são as que dão suporte para o animal,sendo, portanto, essencial, um tratamento feito com qualidade.

Tanto para os cavalos crioulos que participam de provas, quanto os que não, é importante os cuidados com os parasitas internos e externos, pois são as doenças mais comuns nesses animais.

Para isso, entretanto, é necessário o controle do dono do animal, como a prática de exames regulares e a ida a um veterinário.

Fonte: Inema

CRIOULO

O cavalo crioulo é uma raça de cavalos que se originou dos animais de sangue andaluz e berbere introduzidos no continente americano pelo aventureiro espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca nos primeiros anos após o descobrimento, mais adiante se inicia no que hoje é o Rio Grande do Sul, em 1634, criações com os equinos trazidos pelos padres jesuítas Cristóvão de Mendonça e Pedro Romero.

Paralelamente as criações, alguns que foram se perdendo da comitiva de Cabeza de Vaca durante as suas campanhas na região passaram a se criar livremente nas planícies do conesul do continente americano, vivendo em estado selvagem por cerca de quatro séculos. Nesse período, as duras condições do clima acabaram criando, através da seleção natural, uma raça extremamente resistente a alta amplitude térmica, quanto à seca e à falta de alimento.

Assim como os mustangues norte-americanos, os animais que deram origem à raça crioula eram caçados e domados tanto pelos índios cavaleiros, os charruas, quanto pelos estancieiros.
Atualmente, a raça crioula está espalhada por todo o Brasil, mas especialmente no Rio Grande do Sul, onde está o principal símbolo da raça, os descendentes de La Invernada Hornero, de Uruguaiana.

Doenças do Sistema Musculoesquelético

Os cavalos da raça crioula possuem uma grande probabilidade de desenvolver alterações do sistema musculoesquelético devido ao tipo de provas a que são submetidos. O alto desempenho atlético exigido desses animais pode ocasionar lesões graves, resultantes geralmente de uma sobrecarga.

A claudicação ou manqueira é geralmente o primeiro indício de que uma lesão está presente seja ela em função da dor ou impedimento mecânico. Qualquer sinal de mudança no comportamento animal deve ser considerado pois, muitas vezes é possível diagnosticar o problema no início aumentando as chances de recuperação.. As lesões mais comumente encontradas são fraturas por choque ou sobrecarga, tendinite dos tendões flexores digital superficial e profundo, fragmentos ósseos intra-articulares, dentre outras.

Sempre que for identificado algum sinal de lesão é essencial tomar as medidas necessárias para controlar a evolução do caso evitando assim que o problema torne-se crônico e às vezes irreversível.

Deve-se sempre priorizar a prevenção que consiste desde uma alimentação balanceada até medidas fisioterápicas ao termino do exercício. Também é comum na prática veterinária o uso de antiinflamatórios, mas vale ressaltar que os mesmos devem ser utilizados com responsabilidade e obedecendo critérios como dosagens e tempo de utilização, caso contrário o uso indiscriminado dos antiinflamatórios pode ocasionar problemas em outros sistemas.

Os proprietários, treinadores e médicos veterinários devem sempre estar atentos e informados quanto a tudo que diz respeito às características e comportamento individual dos animais, pois geralmente as doenças do sistema musculoesquelético são multifatoriais.

Considerando o tipo de exercício executado pelos animais da raça Crioula nas provas funcionais ou quando são utilizados no serviço em fazendas sugere-se que as possíveis causas de claudicação são as artrites precoces de jarrete, síndrome do navicular e fratura de quartela.

Alterações conformacionais dos membros em potros recebem especial atenção, pois alguns casos podem ser solucionados desde que seja diagnosticado cedo o que permitirá o estudo da melhor técnica de correção a ser utilizada.

Dentre as principais lesões relacionadas ao sistema musculoesquelético podem-se citar as exostoses mediais devido ao choque dos cascos no segundo e terceiro metacarpianos ao realizarem giros rápidos, paradas bruscas e alterações abruptas de direção, as exostoses laterais devido à sobrecarga de peso no quarto metacarpiano. Dores musculares também estão presentes associadas ao excesso de exercício, alterações nutricionais, falta de alongamento e secundariamente a outras lesões. As estruturas tendíneas também são freqüentemente acometidas por lesões inflamatórias que comprometem a função do animal devido à dor contínua. Quando esse tipo de lesão não recebe a devida importância ocorre comprometimento importante das estruturas e dependendo do caso o tratamento é demorado (meses a anos) e, consequentemente é preciso maior investimento financeiro ou ainda o quadro torna-se irreversível.

Sinais como a claudicação, dor à palpação local, aumento de volume e temperatura, posicionamento irregular em repouso e mudanças comportamentais como agressividade ou recusa ao exercício são dados importantes que auxiliam no diagnostico de lesões musculoesqueléticas. O uso de recursos como o ultrassom, termógrafo e das radiografias permitem um diagnóstico mais preciso quanto ao grau, tipo e localização da lesão.

Atualmente, as possibilidades terapêuticas têm sido aprimoradas de acordo com a função do cavalo, tipo de lesão e gravidade da mesma, assim como dos recursos financeiros disponibilizados pelo proprietário.

A combinação terapêutica muitas vezes permite a completa recuperação do animal desde que o tratamento seja seguido corretamente, assim como as recomendações do Médico Veterinário em relação aos períodos de repouso e retorno gradual às atividades.

Cada animal deve ser avaliado levando em consideração suas características individuais, para assim determinar o melhor tratamento.

O tratamento inicial, geralmente consiste na administração de antiinflamatórios tópicos e/ou sistêmicos. A utilização de técnicas de fisioterapia ou até mesmo correção cirúrgica são necessárias nos casos mais complicados. Falando-se de fisioterapia podemos destacar as técnicas de ultrassom e laser terapêutico que podem ser utilizados para diminuir a dor e a inflamação local.

Também se pode utilizar o ferrageamento corretivo que muitas vezes é o suficiente para solucionar o problema.

Os sábios já diziam: “melhor prevenir do que remediar”. Acreditando neste pensamento recomendo sempre cautela aos treinadores de cavalo quanto ao grau de esforço aplicado no cavalo atleta, respeitando sempre o limite individual de cada animal.

Quando se obtem conhecimento sobre a predisposição das principais lesões ocasionadas pelo treinamento é possível aplicar técnicas de terapia preventiva como a crioterapia que nada mais é do que a aplicação de gelo por não mais que vinte minutos principalmente na região dos tendões atenuando os sinais de inflamação pós-exercício.

Sem dúvida a principal forma e mais efetiva de prevenção no caso das doenças de ordem musculoesqueléticas são o casqueamento e ferrageamento bem realizados.

fonte: Saline Santos dos Santos


Função

A análise morfológica, estudo do formato e da estrutura do animal - feita junto com as provas funcionais, que medem o desempenho - permite conhecer as verdadeiras características buscadas na raça. O crioulo deve ter o biotipo do cavalo de sela, abrigado dentro da sua tipicidade racial, e a funcionalidade serve justamente para explicitar isto.

O Cavalo Crioulo constitui uma raça equina das que mais contribuiu para o alto nível de excelência que a pecuária do Brasil vem obtendo, pois devido às suas características de rusticidade e força, esse cavalo aguenta muitas horas seguidas de trabalho direto no campo, de sol a sol. Pode-se dizer que já existe uma linhagem brasileira - que alia a morfologia Argentina à funcionalidade chilena - que já vem sendo reconhecida nos outros países e deve-se às provas funcionais do Freio de Ouro, responsáveis pelo grande desenvolvimento da raça em relação aos outros países.

Essa superioridade racial motivou a expansão para outros tipos de provas onde o Cavalo Crioulo se adapta muito bem, como cavalgadas, provas de laço, rédeas e enduros, nas quais vem se destacando.

Freio de Ouro

Denominado prova Flavio e Roberto Bastos Tellechea, é a maior e mais popular promoção da raça Crioula e, talvez, a maior competição de animais puros de uma só raça no Brasil. As 36 vagas para machos e as 36 para fêmeas, visando a grande final do Freio de Ouro, são disputadas por mais de mil animais em 51 credenciadoras que acontecem em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e garantem vaga para as 9 etapas classificatórias, uma delas realizada em Montevidéu, no Uruguai. A grande fi nal do Freio de Ouro é disputada em agosto, durante a Expointer, sendo que a prova mostra ao público as habilidades de cavalo e do ginete, reproduzindo nas pistas os trabalhos do dia-a-dia no campo, além de testar a doma, a resistência, a docilidade, a aptidão e a coragem, que formam a funcionalidade do cavalo Crioulo.

A partir da parceria fechada entre o Canal Rural e a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos, as etapas classifi catórias e a fi nal passaram a ser transmitidas para todo o Brasil através do canal 35 da NET/SKY e por antena parabólica, dando ao evento uma exposição de caráter nacional.
Paleteada

É uma modalidade derivada da prova Freio de Ouro, onde o boi é conduzido por uma dupla de cavalos Crioulos ao longo de uma pista de 140 metros.

Hoje, possui 52 etapas entre classifi catórias, semifinais e final, contando com mais de 2.200 participantes ao longo de sua realização no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Tiro de Laço

O Tiro de laço, ou Crioulaço, promovido pela ABCCC, é um campeonato somente para cavalos Crioulos.

Hoje, possui 57 etapas entre classificatórias, semifinais e final, contando com mais de 4.000 participantes ao longo de sua realização no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Rédeas

É a modalidade de Hipismo Western na qual o cavalo recebe adestramento básico. Entre todas as modalidades, é a mais técnica. Qualquer cavalo que
pratique outra modalidade precisa de treinamento específico em Rédeas para obter sucesso. Controlar um cavalo não é apenas guiá-lo, mas dominar seus movimentos. O cavalo melhor controlado deverá ser voluntariamente guiado com pouca ou nenhuma resistência, pois qualquer movimento dele próprio poderá ser considerado como falta de controle.

A ABCCC promove, em outubro de 2005, a primeira edição do Potro do Futuro somente para cavalos Crioulos. Esta é uma modalidade tradicional em outras raças, em todo o mundo, e consolida a raça Crioula numa posição de destaque dentro do esporte de Rédeas.
Enduro

É uma prova que visa observar o conjunto cavalo e cavaleiro, onde ambos buscam superar seus limites no que diz respeito à resistência, velocidade e capacidade de recuperação frente a obstáculos naturais, terrenos e distâncias variadas.

Como em outros esportes eqüestres, o Enduro da Raça Crioula procura preservar a integridade física do ginete e dispensa uma atenção muito especial à saúde, bem-estar e futuro atlético do eqüino, tornando-se assim um esporte onde as exigências físicas dos competidores - cavalo/cavaleiro - são elevadas ao extremo.
Existem, hoje, 4 etapas no campeonato de Enduro,com mais de 200 participantes.
Marcha de Resistência

É uma competição cujo objetivo maior é demonstrar e difundir a capacidade de resistência do cavalo Crioulo.
Esta prova é realizada em conjunto com os vizinhos uruguaios, que possuem tradição nesta modalidade.

A marcha é a maior prova de resistência eqüina no mundo, pois se estende por 750 km, com pontos de descanso e controle veterinário. Ela acontece nos cenários reais dos campos gaúchos e enfrenta grandes diversidades como o frio, a chuva, o piso e os obstáculos naturais.
Fonte: Hilton Araldi e Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Crioulos - ABCCC

Cavalos crioulos são personagens da história do Uruguai


Raça chegou ao país há 500 anos. Selvagens pela própria natureza, animais ficam mansos e obedientes depois de treinados.




Ao cruzar a fronteira mais ao sul do Brasil, encontra-se uma paisagem bastante familiar. A vegetação baixa e enormes pastagens naturais dão impressão de que ainda estamos nos campos do Rio Grande do Sul. O desafio do Globo Repórter era desvendar um Uruguai que o Brasil não conhece: selvagem, místico, cheio de riquezas naturais. Um roteiro de mais de dois mil quilômetros de estrada e muitas surpresas.

Homem e a natureza convivem em busca de harmonia desde os tempos da colonização. Para dominar a imensidão do pampa, antes, era preciso domar o cavalo, que chegou ao Uruguai pela mão dos conquistadores espanhóis, há 500 anos.

Eram animais treinados para a guerra, mas as fugas e o abandono no campo fizeram deles cavalos selvagens. A seleção natural, em um ambiente de inverno rigoroso, preservou os mais fortes. Surgiu uma raça resistente, bem adaptada: o cavalo crioulo – selvagem pela própria natureza, mas manso e obediente depois de treinado.

Até que um cavalo selvagem se transforme em um animal dócil, manso e tranquilo – até que alguém sem muita experiência se arrisque a montar – são mais ou menos três meses de treinamento. E tudo começa no curral, nas mãos do domador.

O domador é determinado e paciente com o animal que vai ser montado pela primeira vez. Entende o medo e a aflição diante uma tarefa nova, desconhecida. A primeira montaria é cercada de muita tensão. O animal parece um pouco assustado, testa o domínio do cavaleiro. É como se homem e animal disputassem quem está no comando. Mas o domador não se abala e mostra pulso firme na condução. Em seguida, o animal já não resiste.

"Com violência, fica mais difícil domar o cavalo. Se você o maltrata cada vez que o encilha, o cavalo vai ficar com medo cada vez que você o encilhar", explica o domador Rodrigo Silveira.

Uma égua está em um estágio mais avançado: começa a ser treinada para competições e dá um show. Mostra tudo o que já aprendeu.

"Dá gosto andar em um cavalo crioulo. Além de servir para trabalhar, andar em um cavalo crioulo, com a docilidade e a funcionalidade que ele tem, é tudo", diz o treinador de cavalos Pablo Durán.

Hoje, o cavalo crioulo é um companheiro inseparável de quem trabalham nas fazendas, até na hora do descanso, depois de um dia de sol. É um personagem da história, riqueza viva sobre o chão do Uruguai.

Globo Repórter

Cavalo Crioulo

DÓCIL E ATLETA
História: Originário das grandes planícies dos pampas até as encostas dos Andes, descende dos cavalos trazidos pelos colonizadores espanhóis. Adaptou-se ao frio intenso e ao calor desgastante, tornando-se um animal muito resistente.

Características: Apesar do baixo porte, possui musculatura consistente e ossatura compacta. Extremamente ágil e resistente, foi feito para trabalhar com gado.

Aptidão: Além de sua funcionalidade na lida com o gado, tem se destacado nas provas do Freio de Ouro e vencido as principais provas de rédeas do Brasil. A raça foi sensação em algumas provas nos EUA.

No Brasil: Durante séculos, povoou o sul do Brasil, Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai, mas agora está conquistando todo o país. São cerca de 140 mil animais vivos registrados e distribuídos entre aproximadamente 14 mil proprietários.


Fonte: www.mercadodecavalos.com.br

Crioulo - Dados Técnicos

Origem: América do Sul

Altura: Mede de 1,35m a 1m52m

Caráter: É um animal compacto, robusto e inteligente. Apresenta a cabeca curta e larga, afilando-se em forma de cone, focinho saliente, face reta com olhos expressivos afastados lateralmente, orelhas curtas empinadas. O pescoço é musculoso, inserido em espáduas fortes e profundas, com peito largo. O dorso é curto, com costelas bastante elásticas e lombo bastante poderoso. A garupa é arredondada e musculosa. As pernas são curtas, com ossatura excedente, quartelas curtas, com patas pequenas e duras.

A América do Sul produz uma das raças de cavalo mais vigorosas do mundo - o pequeno Crioulo, montaria dos gaúchos das grandes criações que se estendem na parte central do continente. Este parece, com pequenas variações na estatura e no requinte do tipo, como o Crioulo da Argentina e do Uruguai, o Crioulo do Brasil, os tipos Costeño e Morochuco do Peru, o Caballo Chileno do Chile e o Llanero da Venezuela. Embora alguns destes tipos sejam atualmente bastante diferenciados do tipo Crioulo básico, todos descendem da mesma criação espanhola importada pelos conquistadores do sécu8lo XVI. Os requintes da raça são devidos às variações de temperatura e da qualidade das pastagens, por serem criados nas colinas ou nas planícies e pela criação seletiva visando a qualidades particulares de acordo com as exigências locais.
O Sangue básico vem do Andaluz, do Berbere e do Árabe. Seu porte pequeno e seu vigor são devidos a uma rigorosa seleção natural de aproximadamente 300 anos, em cujo período rebanhos de Crioulos se tornaram selvagens ou semi-selvagens nas planícies. Muitos afirmam que a curiosa distribuição de cores ruiva e do tipo baio, exclusiva do Crioulo, evoluiu como uma colocaração que serve de proteção natural.
Especialmente na Argentina, o povo tem grande orgulho da resistência do Crioulo, e são mantidos testes de resistência para selecionar os melhores para a procriação. Uma prova anual é realizada pelos criadores, na qual os cavalos devem cobrir uma distância de 752 km em quinze dias, carregando uma carga de 110 kg, sem nada para comer ou beber, exceto aqueles alimentos que eles mesmos possam encontrar pelo caminho durante o descanso.

PADRÃO DA RAÇA

1. CABEÇA

PERFIL: sub-convexo; retilíneo; sub-côncavo
COMPRIMENTO: curta
GANACHA: delineada; forte e moderadamente afastada
LARGURA:
Fronte – larga e bem desenvolvida
Chanfro - largo e curto
ORELHAS: afastadas; curtas; bem inseridas; com mobilidade
OLHOS: proeminência; vivacidade

2. PESCOÇO
INSERÇÕES:
Cabeça – limpa e resistente;
Tórax – rigorosamente apoiada no peito
BORDO SUPERIOR: sub-convexo; crinas grossas e abundantes
BORDO INFERIOR: retilíneo
LARGURA: amplo; forte; musculoso
COMPRIMENTO: mediano

3. LINHA SUPERIOR

CERNELHA: destaque moderado; musculosa
DORSO: mediano; musculoso; bem unido a cernelha e ao lombo
LOMBO: musculoso; unindo suavemente o dorso e a garupa
GARUPA: moderadamente larga e comprida; levemente inclinada proporcionando boa descida muscular para os posteriores
COLA: com a inserção dando uma perfeita continuidade à linha superior da garupa. Sabugo curto e grosso, com crinas grossas e abundantes.

4. TÓRAX, VENTRE E FLANCO

PEITO: amplo; largo; profundo; encontros bem separados e musculosos
PALETAS: inclinação mediana; comprimento mediano; musculosas, caracterizando encontros bem separados
COSTELAS: arqueadas e profundas
VENTRE: sub–convexo, com razoável volume; perfeitamente unido ao tórax e flanco
FLANCO: curto; cheio; unindo harmonicamente o ventre ao posterior

5. MEMBROS ANTERIORES E POSTERIORES

BRAÇOS E COTOVELOS: musculosos; braços inclinados; com cotovelos afastados do tórax
ANTEBRAÇOS: musculosos; aprumados; afinando-se até o joelho
JOELHOS: fortes, nítidos, no eixo
CANELAS: curtas, com tendões fortes e definidos; aprumadas
BOLETOS: secos, arredondados, fortes e nítidos; machinhos na parte posterior
QUARTELAS: de comprimento médio; fortes, espessas, nítidas e medianamente inclinadas
CASCOS: de volume proporcional ao corpo, duros, densos, sólidos, aprumados e medianamente inclinados. De preferência, pretos
QUARTOS: musculosos, com nádegas profundas. Pernas moderadamente amplas e, musculosas interna e externamente
GARRÕES: amplos, fortes, secos. Paralelos ao plano mediano do corpo, com ângulo anterior medianamente aberto



:: Textos retirados de Tudo sobre Cavalos de Martins Fontes e do Site da ABCCC ::






AVALIAÇÃO DO CONSUMO DE ÁGUA E SEUS EFEITOS DIRETOS SOBRE O DESEMPENHO DE CAVALO

Num país como o Brasil, onde a água é um nutriente abundante, muitas vezes não damos à devida importância a este nutriente. A água devida sua características bioquímicas, desenvolve papel importante dentro da nutrição animal, assim como e principalmente no metabolismo animal. Desta forma, uma pequena revisão sobre o consumo de água por eqüinos é apresentada com intuito de despertar para quantidades de água consumida assim como qualidade.
Apesar de ser um composto bastante simples, formado de duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio (H2O), a água é o mais importante de todos os nutrientes essenciais para a manutenção da vida. Fornece o material estrutural essencial para o protoplasma celular. Atua como solvente e meio onde ocorrem as reações químicas com outras substâncias essenciais. É o maior constituinte do sangue, o principal mecanismo de transporte do organismo. Serve como substrato para várias reações metabólicas. Protege tecidos e órgãos, contra choques e mantém lubrificados vários meios, como as articulações. Mantém o equilíbrio físico e químicos dos fluidos intra e extracelulares, e atua na manutenção da temperatura corporal.
Além disto, o consumo de alimento e conseqüentemente o fluxo da digesta no trato digestivo dos animais é influenciado por vários fatores, como espécie, idade, estado fisiológico, exercícios, temperatura ambiente, ingredientes da dieta, tamanho da partícula, freqüência de alimentação e teor de fibra da dieta ou ração completa e também devida a qualidade de água fornecida aos cavalos.
Segundo Martin-Rosset (1990), a quantidade de alimentos que um cavalo pode ingerir varia de acordo com o teor de matéria seca dos alimentos, com o peso vivo do animal, com seu desempenho e com o seu estado fisiológico. A capacidade dos diferentes segmentos do trato gastrintestinal, a taxa de passagem da digesta, a concentração dos nutrientes na digesta e principalmente, as necessidades energéticas são os fatores mais expressivos que explicam a regulação do consumo de matéria seca dos eqüinos (Frape, 1992).
Os eqüinos necessitam de uma fonte de água de boa qualidade a ser fornecida em quantidades satisfatórias diariamente para suas funções fisiológicas normais. Limpar os bebedouros freqüentemente, removendo algas e outros materiais que possam estar prejudicando aspectos qualitativos da água, como restos de alimentos e insetos, são medidas necessárias para manter um consumo de água adequado pelos animais. Apenas recomenda-se restringir o consumo de água momentos antes e durante a recuperação dos animais após realização de exercícios, quando o batimento cardíaco e os movimentos respiratórios estão elevados (Lewis, 2000). Assegurar um consumo de água adequado é fundamental em eqüinos expostos a exercícios prolongados ou em ambientes quentes.
O índice de água corporal dos eqüinos é relativamente constante (68 a 72 % do peso total), sendo que a exigência mínima de água pelos eqüinos em mantença está diretamente correlacionada às perdas. As principais formas de perdas de água são as excreções através da urina, das fezes, do suor, da evaporação nos pulmões e pela secreção de leite (Robinson e Mccance, 1952; Mcdonnell et al., 1999).
A quantidade de água consumida pelos eqüinos está relacionada a diversos fatores, como já destacado anteriormente, a composição química bromatológica dos alimentos associada especialmente ao conteúdo de proteínas, minerais e fibra da dieta, porém, a digestibilidade das dietas, a temperatura e a umidade relativa do ar, a atividade física e o estágio fisiológico em que se encontram os animais são efetores cumulativos sobre as perdas e têm que ser compensadas pela ingestão de água (Kristula e Mcdonnell, 1994; Mcdonnell e Kristula, 1996).
Neste contexto, o NRC (1989) destaca que um dos fatores mais importantes que influenciam no consumo de água é a ingestão de matéria seca, sendo recomendado que os cavalos bebam 2 a 3 litros de água / kg MS ingerida. A restrição ao consumo de água pode levar a uma depreciação do apetite e redução no consumo voluntário de alimentos.
Observando o consumo de água a vontade durante ensaios de metabolismo com cavalos em mantença, sugeriu se que a possibilidade de realização de equações de regressão que expliquem o consumo de água em função da matéria seca ingerida, com grau elevado de confiança. No entanto, embora a literatura relate que cavalos à pasto ingiram água somente uma ou duas vezes por dia, é evidente a falta de dados sobre ingestão voluntária de água.
A avaliação objetiva dos sistemas gerenciais sobre animais e efeitos associados à saúde e o bem-estar animal têm demonstrado ser oportuna e importante tal averiguação, especialmente, a investigação da quantidade de água consumida por cavalos estabulados (Freeman et al., 1999). Desta forma, o consumo de água pelos eqüinos está ligada diretamente a vários fatores que podem prejudicá-lo quando ao desempenho e saúde caso não sejam atendidas as quantidades e qualidades da água ideal.
Em nutrição animal, sempre recomendasse que a qualidade de água fornecida aos animais, seja tão boa quanto a água destinada ao consumo humano, assim fornecendo água a vontade, estaríamos garantindo que os animais não tenham seus consumo de água restringidos e sim disponibilizados para atender as exigências fisiológicas de cada categoria animal.